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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Uma Macaca na Cidade (42)

A MEIA HASTE…

 

Ontem, deitei-me com a chuva e com o cheiro da terra molhada a acalmarem um pouco o terror do dia. Mas, com a revolta, impotência e frustração como companhia! E tantas questões por responder às voltas na minha cabeça…

 

Hoje de manhã, quando levava o meu filho mais velho à escola, assisti à descida a meia haste das bandeiras à porta da minha junta de freguesia. O meu coração encolheu. Tive que conter a emoção que senti, enquanto explicava ao meu filho o simbolismo do momento (que passou completamente despercebido no meio da habitual confusão de pais a deixar as crianças – a junta de freguesia fica num enclave entre quatro escolas!).

 

Não consigo imaginar nada que melhor pudesse descrever “Luto Nacional” do que aquela bandeira de Portugal, caída e amarfanhada aos pés do senhor, antes de ser colocada a meia-haste… Não vislumbro melhor metáfora para aquilo que o nosso País está a viver neste momento.

 

Eu pude dormir na minha cama, acordar na minha casa e levar o meu filho à escola pela mão… Mas hoje, houve quem não pudesse fazê-lo... Há demasiados mortos, demasiados feridos, vidas desfeitas, casas arrasadas, postos de trabalho perdidos, escolas fechadas… Há vidas em suspenso, hoje e durante os próximos tempos. Há marcas que vão ficar para sempre. Feridas que vão demorar a sarar (se é que algum dia vão sarar…). E depois há demasiadas perguntas sem resposta – nomeadamente, o que é feito dos donativos angariados para Pedrógão, ou porque é que ninguém fala (deveria ser notícia de todas as capas de jornais!) da conclusão do relatório independente sobre os incêndios de 17 de junho, e que atribuem a responsabilidade a uma empresa do Estado (EDP) –, há muita lamentação e pouca ação.

 

Se eu considero que o Governo está a lidar da melhor forma com a situação? Definitivamente, acho que não… Acho que os “sermões” da ministra e do secretário de Estado nos caíram muito mal. A ocasião não pede discursos políticos, pede discursos de crise, pede empatia, pede comunicação e proximidade à população. Mas também acho que há muitas críticas que são elas próprias “incendiárias”… Nem que fossemos todos os 10 milhões de portugueses bombeiros conseguiríamos dar resposta aos quase 500 incêndios que deflagraram praticamente em simultâneo no território nacional!

 

As causas, essas, só não vê quem não quer: são anos e anos de legislação miserável no que concerne ao ordenamento florestal, são os interesses, são as negociatas, são os pirómanos “maluquinhos”, são as mãos negligentes… E é, não tenho dúvidas, em grande parte – e muito em particular no dia de ontem – terrorismo político! Ou se preferirem crime organizado… Chamem-lhe o que quiserem, mas como se explica mais de 400 incêndios a deflagrarem à mesma hora em diferentes pontos do País?

 

Se não pudermos fazer mais nada, façamos silêncio, em respeito por todas as vítimas dos incêndios e por este País que tanto dizemos amar:

 

Manifestação Silenciosa Portugal Contra os Incêndios (Lisboa) VER AQUI

 

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