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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Uma Década do Melhor de Mim

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz

 

O meu filho fez dez anos no sábado. Sim DEZ. Ainda não estou em mim. Soube sempre, desde criança, que queria muito ser mãe. E também sabia exatamente o tipo de mãe que queria ser. Era tudo tão claro no meu mundo pequenino cheio de certezas.

 

Às vezes ainda continuo a querer ser essa mãe. Às vezes, ainda sou essa mãe. Mas, muitas, muitas outras vezes sou uma mãe completamente diferente. Umas vezes porque quero, outras porque nem tenho tempo para pensar. E se por vezes isso é bom, porque até acho que me supero, outras não é bem assim. Já nada me parece tão certo, nem a vida tão cor-de-rosa ou o mundo tão simples. Mas uma coisa é exatamente igual. O amor. O que sinto e o que imaginei.

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E depois há momentos que vivia com a minha mãe e que estou a voltar a viver, em repeat - os momentos de discórdia que são numerosos, imensos. Também por esses já me senti frustrada e perdida.

Agora sei que são apenas os frutos de uma educação que ensina a pensar e logo, a contestar. É cansativo, mas prefiro assim. O meu filho é o meu work in progress, e vamos por isso debater opiniões a vida toda. Porque gostamos tanto ambos de falar, de mostrar pontos de vista, de contrapor. Está-nos na massa do sangue. É assim que crescemos, os dois. Lado a lado. E é isso que me faz adorar ser sua mãe. Saber que para o acompanhar não posso deixar de crescer. Então ele cresce e eu cresço. E o meu crescimento faz-nos ser melhores. Assim como o seu. Lembro-me de uma vez em que ele, pequenino, me perguntou se podíamos comprar uma vaca. Como assim comprar uma vaca??? Pois… assim teríamos comida e tu já não precisavas de trabalhar. Preciso sim, meu amor. Se eu não trabalhar, não me desenvolvo e se fico parada simplesmente não sou feliz. Ora, se não sou feliz, nunca poderei ser uma boa mãe para ti. Entendes? Claro que entendeu. Nunca mais pediu uma vaca. Nem que eu deixasse de trabalhar.

 

Claro que também já me acusou de dar mais miminhos à irmã, de passar mais tempo com a irmã, de gostar mais da irmã. Foi uma das discussões melhores que tivemos. Não sei se conseguem perceber, ou se sentem isto com os vossos filhos, mas ele não pára de fazer perguntas enquanto algo não lhe for bem explicado, o que requer paciência, imaginação e um grande leque de vocabulário. Ao perceber que a irmã precisa de um tipo de mãe e ele de outra – que sou duas mães, afinal – nunca mais me acusou de nada parecido. Cansa. Cansa muuiiitooo. Mas eu adoro. Afinal, como diz a canção de embalar, com o qual ainda o adormeço nas noites difíceis, ele é só o meu Duarte pequenino. E hoje, só hoje, por ser uma data tão especial, deixo também um poema.

 

Se Tu Fosses Um Poema

 

Se tu fosses um poema, não serias as palavras

Serias o seu sentido, numa rima entrelaçada

Far-me-ias rir com uma piada

E chorar e no seguinte segundo

Porque serias divertido e profundo

 

Se tu fosses um poema, serias feito de coração

Em cada batimento caberia uma questão

Caberia um mundo justo, igual e verdadeiro

Mas com muita dificuldade em aceitar um não

 

Se tu fosses um poema, num livro não ias conseguir manter-te fechado

As tuas letras saltariam, dançariam, à bola estariam a jogar!

Falariam rápido, pelos cotovelos

E adormeceriam com uma canção de embalar.

 

Se tu fosses um poema serias exatamente como eu gosto de ti

Exatamente como és

Tu és a minha poesia pura, da cabeça aos pés.

 

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Sónia Vaz

Professora de Inglês (1º ciclo)

 

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