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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Terra há (MESMO) só Uma

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz 

 

Férias. Enfim as desejadas férias de verão. Tempo de carregar baterias, ir a banhos, jantar ao ar livre, ficar na praia até ao pôr-do-sol. Mas ainda assim, tempo de continuarmos a respeitar a nossa missão enquanto cidadãos do mundo, de não nos despedirmos dos nossos valores, de não nos esquecermos que existem bens maiores e que, às vezes, mesmo em tempo de nada fazer temos mesmo que nos chatear.

 

Estou no Algarve com a minha família. Um dia destes vinha na rua com a minha irmã e estava um grupo de quatro adolescentes a passar. Um deles tinha uma garrafa de vidro na mão e estava a ‘enterrá-la’ num arbusto. Os outros, em tom de gozo, diziam-lhe: “Tens um vidrão mesmo aqui à frente, não me digas que vais deixar a garrafa aí!”

rubbish-1576990_960_720.jpg(Créditos: Pixabay

 

O meu sangue ferveu, mas sabia que se falasse naquele momento, por estar tão aborrecida não ia conseguir o que queria. Respirei. Andei para trás no tempo.

Quando ainda eu era uma adolescente e pertencia ao ‘Greenpeace’ da aldeia. Chamávamo-nos C.A.T. (Clube dos Amigos da Terra) e tínhamos um slogan: ‘Terra há só Uma! Salvemos a Terra!’ Também tínhamos cartões de sócio, palavras-chave e passávamos tardes inteiras a escrever para entidades a pedir ecopontos, a reciclar papel e literalmente, a apanhar lixo do chão (hábito que mantenho, aliás, sempre que vou à praia ou dar um passeio no pinhal).

De repente ocorreu-me que se calhar aquele rapaz não tinha a menor noção do impacto a nível global que a sua pequena atitude poderia ter. E qual é a minha missão na Terra? Esclarecer pessoas, sempre que possível, esclarecer pessoas. ‘Se calhar não sabes filho, mas o vidro quando exposto à luz do Sol pode aquecer de tal forma que causa incêndios’. ‘Eu não estava a fazer nada’. Ouvia-se ao longe os risinhos dos outros. Mas eu não desisti. Se salvar um miúdo hoje, salvo um homem amanhã. ‘Tu é que sabes querido. O mundo é teu. A responsabilidade é tua. Tu és o responsável pelo mundo de amanhã. Tu escolhes onde queres viver.’ Era bom, o miúdo. Mesmo com todos os outros a gozar, foi buscar a garrafa. ‘Obrigada, filho. Vais ser um bom homem. Fizeste o que tinha de ser feito.’

 

Não sei o que fez ele a seguir. Mas eu não me demiti e são estas pequenas coisas que me fazem adorar a minha profissão. Cada um de nós tem mesmo em si o poder de mudar o mundo. Basta partilharmos o nosso conhecimento com ele, em lugar de o julgarmos. Basta sermos bons e dar bons exemplos. Basta não nos acomodarmos, nem nas férias.

 

Já agora, se me permitem, fica um repto para este Verão. Vamos recusar as palhinhas? Essas maléficas inimigas da vida marinha? E sugerir, em cada restaurante ou esplanada em que as ofereçam que apenas as tragam se forem pedidas? Acreditem. Cada passo pequenino nos ajudará a continuar a ter praias onde descansar sem termos de nadar em plástico.

 

Bons banhos e boas férias!

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Sónia Vaz

Professora de Inglês - 1º ciclo

 

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Cátia Santos catiafsantos@hotmail.com

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