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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Terra há (MESMO) só Uma

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz 

 

Férias. Enfim as desejadas férias de verão. Tempo de carregar baterias, ir a banhos, jantar ao ar livre, ficar na praia até ao pôr-do-sol. Mas ainda assim, tempo de continuarmos a respeitar a nossa missão enquanto cidadãos do mundo, de não nos despedirmos dos nossos valores, de não nos esquecermos que existem bens maiores e que, às vezes, mesmo em tempo de nada fazer temos mesmo que nos chatear.

 

Estou no Algarve com a minha família. Um dia destes vinha na rua com a minha irmã e estava um grupo de quatro adolescentes a passar. Um deles tinha uma garrafa de vidro na mão e estava a ‘enterrá-la’ num arbusto. Os outros, em tom de gozo, diziam-lhe: “Tens um vidrão mesmo aqui à frente, não me digas que vais deixar a garrafa aí!”

rubbish-1576990_960_720.jpg(Créditos: Pixabay

 

O meu sangue ferveu, mas sabia que se falasse naquele momento, por estar tão aborrecida não ia conseguir o que queria. Respirei. Andei para trás no tempo.

 

Se Eu Não Gostar de Mim… Quem Gostará?

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz

 

Final do ano letivo. Aquela altura maravilhosa em que toda a gente me pergunta se já estou de férias, quando ainda não tive um minuto para mim. Altura de papelada e burocracia. De arrumar o ano que acabou e de pensar no que vem aí. E também, altura de entregar notas. As terríveis notas. Ou as excelentes notas. Mas nunca, exatamente, as que os pais sonharam para os seus filhos. Ou as que consideram justas.

pastedImage.png(Créditos: Pixabay)

 

Vivemos numa escola tiranizada pela cultura do Muito Bom. Em que muitos pais questionam: “Se o meu filho teve 95% no teste, porque é que apenas teve Bom na pauta final?”. E porquê?

 

Os Melhores Professores do Mundo

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz

 

É dia da criança. Dia de pensar mais nos seus direitos que deveres. Dia de brincar. Dia de ser livre, de ser autêntico, de ser mimado. É o dia deles e também o nosso, se somos adultos que se recusaram a crescer sérios, graves, obtusos. 

pastedImage.png (Créditos: Pixabay)

 

Tenho por isso, que falar das minhas crianças. Aquelas que me inspiram, me ajudam a ser melhor e me ‘obrigam’ a brincar.

 

Completa(MENTE) 12

Perdidos na Perda

 

Ninguém gosta de falar do que perdeu. É-nos muito mais fácil falar do emprego novo, do carro novo, do amigo novo. É assim a nossa natureza. Varremos as tristezas para debaixo do tapete e deixamo-las assombrar-nos apenas no escuro quente da nossa cama, onde nos habituamos a chorar baixinho. Como se chorar fosse uma coisa terrível, e não algo inerente à nossa condição humana. Por isso, os nossos filhos, ou alunos quando choram, sentem que estão a fazer algo errado. Algo que nem os professores, nem os pais fazem. Ou não.

 

Admito. Sou uma chorona. E acredito que o facto de ser assim, me ajuda a ser melhor pessoa, mais bem resolvida. Já chorei inclusivamente em frente a pais e alunos, na festa de final de ano de uma escola onde trabalhei durante nove anos. Sempre que os alunos finalistas atuavam, depois de termos passado quatro anos juntos, chorei. Numa dessas vezes, eles saíram do palco e vieram abraçar-me. Só de pensar nisso, e já passou algum tempo, tenho os olhos rasos de lágrimas.

pastedImage.png(google imagens)

 

Mas raramente pensamos que os miúdos, na sua existência tão pequenina, também perdem muitas coisas e pessoas. E que têm o direito de sofrer por elas. De chorar pela professora favorita. Pelo melhor amigo que foi viver para Angola, ou que simplesmente já não quer brincar com ele. Por não ter sido convocado para o jogo. Pelo gato, pelo cão e inevitavelmente um dia, pelo avô, pelo pai. Nada na vida nos prepara para essas situações, mas elas fazem parte do que se chama estar vivo e não me parece nada bem tentar fazer com que esteja tudo bem, quando na realidade, está tudo mal. Não será até desumano privarmos as crianças dessa dor?

 

Não lhes digamos que tudo vai voltar ao normal, quando sabemos que nada volta a ser igual. Ensinemos-lhes a aceitar a dor dessa perda, seja ela qual for. Falemos dela. Falemos até não haver mais nada para falar. Choremos até não haver mais nada para chorar. Ou então desenhemos até, como sugere a Sandra Fartaria no seu mais recente livro ‘Avossauro’. Mas não façamos nunca de conta que está tudo bem. Porque não está.

 

Vivemos numa sociedade demasiado ocupada para termos tempo de ajudar a curar alguém. Mas os nossos meninos merecem esse tempo e acima de tudo, merecem saber que têm o direito a estar tristes até voltarem a estar felizes de novo. Porque se o soubermos fazer, é isso que acaba por acontecer. Uma perda bem resolvida ajuda-nos a crescer, a encontrarmo-nos. Uma perda despachada com ‘cola cuspo’ fica para sempre, fica-nos ficar perdidos para sempre.

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Sónia Vaz

Completa(MENTE) 11

Eu Falo, Tu Falas… Eles Comunicam

 

Sim. É enorme a diferença entre falar e comunicar. Comunicar, mais do que falar bem é também, ouvir bem. Mas temos muito pouco tempo para ouvir, andamos sempre com os minutos contados e a cortesia, essa, muitas vezes fica pelo caminho. Com os nossos filhos, os nossos alunos e… também com os pais deles. É acerca desse tipo (ou falha) de comunicação de que vos venho falar hoje, da que acontece entre pais e professores e que está no início da maioria dos conflitos a que assisto (ou de que faço parte).

pastedImage.png(Fonte: imagens google)

 

Noutro dia durante o meu horário de atendimento recebi uma mãe, para resolver um desses mal-entendidos.

 

Completa(MENTE) 10

A Arte Rara de Elogiar

 

Março começou com um dia dedicado aos elogios. Essa arte rara, num mundo em que cada vez mais é fácil ‘odiar sem critério’ - passo a expressão que ouvi do Nuno Markl - e que logo pela manhã me fez sentir que seria este o tema para o meu post, embora ainda não estivesse certa de como desenvolvê-lo.

 

Fui então para a escola, à espera de pistas. Ou melhor, à espera que as pistas me encontrassem a mim. E como sempre acontece, também desta vez foi assim. Entrei na sala dos professores para começar a escrever e encontrei uma das psicólogas da escola que tinha um livro que me chamou à atenção. Sentei-me perto dela e pedi para espreitar. Ela respondeu que sim e depois disse-me: “Sabes que hoje é o dia do elogio? Quando ouvi, lembrei-me logo de ti!”. Grata, ouvi que o meu sorriso lhe dá energia naqueles dias mais difíceis. Estava decidido. Escreveria acerca desta raridade que é elogiar.

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Mas porque é que é tão difícil dizermos bem? Não estaremos todos demasiado preocupados com uma perfeição que simplesmente não existe?

 

Completa(MENTE) 9

A professora que sabe as letras das músicas todas…

 

Ensino crianças do primeiro ciclo, e como tal, é comum receber desenhos e papelinhos com mensagens amorosas dos meus alunos (pedidos de desculpa, agradecimentos ou apenas manifestações de carinho). No início de 2018, porém, recebi um bilhete de feliz ano novo para a “professora que sabe as letras das músicas todas”. 

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E isto fez-me pensar. Primeiro, em quão bem os meus alunos me conhecem, segundo, no tema para esta rubrica. A música. E como a sua utilização na sala de aula (e em casa) nos pode ajudar a acalmar as nossas feras. 

 

Como sabem, sou de natureza reflexiva, e desde cedo, sempre, em tudo, me habituei a ter a música como companhia. Quando estou a trabalhar, a cozinhar, a tomar banho, a adormecer os meus filhos, a divertir-me, a conduzir, a pensar, a escrever… Nunca tinha tido a noção de que é mesmo constantemente (apesar de o meu filho fazer reclamações inúmeras de que passo a vida a ouvir “aqueles fados brasileiros” – a melhor descrição de sempre para as lindas baladas da Maria Gadú que me enchem o coração). Por sua vez, na escola, não sou mais do que uma uma extensão de mim própria, e como tal, a música também lá está, amiga fiel, para me acompanhar. Nada de novo. Podem pensar. Vários professores o fazem. E eu própria fui mudando (aumentando) a minha maneira de usar a música. Sou professora de inglês e ensino, sobretudo, alunos com idades compreendidas entre os 4 e os 10 anos. Desde sempre tive que ensinar canções. Mas cedo passou a ser mais do que isso. Comecei a fazer as minhas próprias rimas e rotinas de aula a cantar. Cantar para lhes pedir silêncio, para fazerem fila, para passarem do tapete para a mesa.

 

Mas sentia que não chegava. Continuava a sentir dificuldades em controlar o tempo de certas atividades. E então, comecei a usar a música de outra forma. Assim, enquanto os alunos copiam o sumário – e não queremos que eles demorem vinte minutos a fazê-lo – passo uma música, e eles sabem que é esse o tempo que têm para executar essa tarefa. Também quando fazem exercícios, em pares ou individualmente, o tempo de realização é negociado dessa forma. Uma canção ou duas? Quando a música para, todos param para dar lugar à correção.

 

Também uso música de relaxamento e meditação durante os testes, para ficarmos todos mais tranquilos (sim, também fico stressada) e pensarmos melhor. Quando há conflitos e todos temos de ficar dois minutos a pensar na vida. Quando a turma está agitada e temos de fazer silêncio.

 

Música para dançar, para estreitar relações, relaxar, cantar, sorrir. Tornar mais leve o tempo da aula, mais prazerosa a atividade, mais rápida a assimilação. Música para tudo, para todos, sempre. Que como diz a Maria de Vasconcelos, “tudo é mais fácil a cantar”.

 

E vocês, como vivem com a música?

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Sónia Vaz 

Completa(MENTE) 8

Tecnologia (apenas uma colher de chá)

 

Eu sei. Eu sei que não nos podemos alienar do mundo, nem privar os nossos filhos ou alunos do contacto (tão importante para a sua futura vida profissional, com a qual passamos a vida tão preocupados, e para a qual os preparamos intensamente, diariamente – soou sarcástico? Era mesmo para sê-lo!) com computadores, tablets e outros ‘gadgets’. É um facto, queiramos ou não. Gostemos, ou não.

 

Confesso, a facilidade (o comodismo!) de um quadro interativo (ou de um projetor) faz maravilhas numa sala de aula. Não só para a exposição de matérias, mas porque temos tudo ali tão à mão: imagens, vídeos, dicionários, o mundo. Mas uma aula tem de ter mais do que isso, pois na minha opinião, estas ferramentas prendem o professor à parte da frente da sala de aula, e embora do ponto de vista visual, atraia os alunos, do ponto de vista humano, afasta-nos deles. Perde-se a essência de todo o processo ensino-aprendizagem, porque toda a aula está centrada no professor e na manipulação da informação, em lugar de estar focada no aluno. Ora isto, não me parece nada o ensino que se quer no séc XXI.

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Usemos então apenas uma colher de chá de tecnologia, na extensa receita do nosso plano de aula. Para se mostrar o vídeo ou explicar a matéria. Depois, deixemos de ser o centro das atenções e passemo-las para quem delas precisa: os nossos alunos. Estes devem trabalhar autonomamente, em pares ou pequenos grupos. Devem colaborar, discutir, trocar ideias (sem estarem a olhar para o quadro, sem estarem a olhar para nós). E nós, não fazemos nada? Claro que sim. Mediamos os conflitos, lançamos sementes com ideias, tiramos dúvidas, chegamos aos nossos alunos, estamos com eles, lado a lado, de igual para igual, envolvidos no trabalho, sem dar pelo tempo passar. A sério, experimentem. É maravilhoso. Às vezes, dou por mim, ao fundo da sala, em silêncio, a observar. É verdade, eles estão a conversar, mas também estão mesmo a trabalhar. A APRENDER.

 

Também sei de cada vez mais escolas que estão a implementar um ensino sem livros ou cadernos em papel (sou apaixonada por livros, isto parte-me o coração). Apenas tablets ou computadores portáteis. Claro que aí não dá para usar apenas uma colher de chá. Vou parecer mesmo old fashioned agora. Mas não entendo quais as vantagens, a começar pela visão dos nossos alunos, de tais projetos. Parecem-me interativos do ponto de vista tecnológico, e modernos, sim. Mas há interação entre os alunos? Há socialização? A escola forma pessoas para viver no mundo, pessoas que têm de se relacionar, dialogar, abrir mão das suas ideias, ouvir os outros, levar as suas ideias para a frente…

 

Não estaremos a ser um pouco escravos do avanço tecnológico em detrimento de outras capacidades que os nossos alunos também devem desenvolver?

 

Fica a pergunta. (E as repostas não precisam de ser q.b.😁)

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Sónia Vaz 

 

Completa(MENTE) 7

Penso, Logo Existes

 

(ou Como Usufruir dos Princípios da Parentalidade Consciente Numa Educação com o Mesmo Nome)

 

Como sabem, a Cátia e eu fomos a um workshop acerca de Parentalidade Consciente, a convite da minha amiga, formadora e coach, Fátima Gouveia e Silva. Uma vez que a nossa ‘Rapariga’ já falou do tema (e bem), vou apenas dar-lhe uma nova abordagem sob a luz do meu olhar de profissional do ensino.

 

Assim, quando aqui me referir à Parentalidade, na realidade estarei a falar sobretudo de relações entre humanos (como o explicou a nossa formadora) e a transpor o valioso conteúdo daquela manhã de sábado para o palco que piso diariamente: a sala de aula. São a mesma coisa?

 

Completa(MENTE) 6

Só Sei que Quero que Tudo Saibas

 

Esta é bem capaz de ser a maior frustração de qualquer adulto ao tentar ensinar uma criança (ou um grupo delas). Ou porque há teste e queremos que tenham uma boa nota, ou porque há trabalhos de casa longos (que parecem intermináveis no final de um dia de trabalho), ou porque ninguém gosta de dizer que o seu filho, aluno ou sobrinho não aprende tudo só de ouvir uma vez. Estaremos a ser demasiado exigentes com as nossas crianças? Ou estamos a deixar-nos afetar pelas opiniões dos outros, pelas notas dos outros, pelo que queríamos ter sido, pelo que queremos que os nossos filhos, alunos e sobrinhos sejam?

 

Respirar. É a palavra de ordem. Mas como Exigir sem romper o ponto E? Esgotamento. Vivemos demasiado para os resultados e pouco para os atingirmos. Esgotamo-nos e esgotamo-los a eles, e embora possa haver um ou outro caso que seja bem-sucedido, na sua maioria, estas crianças vão odiar aquilo que de mais precioso a nossa sociedade tenta fazer por elas: dar-lhes acesso a uma educação (que eles não valorizam, pois desconhecem outras realidades, ou até o passado do nosso país, em que a mesma não era acessível a todos).

image.pngOntem fui a uma formação excelente, onde nos mostraram como preparar crianças para exames. E afinal, é possível fazê-lo sem stress, levando-as a acreditar que estão a brincar, ensinando sem que haja pressão, ditadura, gritos. Sem que a educação seja um agente disruptivo do saber, mas antes, o caminho tranquilo, direcionado, para o mesmo. E para o futuro. E o mais giro, é que não dá assim tanto trabalho a planificar. Embora tenha um reverso: um exercício pode demorar uma aula inteira a ser realizado, o que para os defensores das ‘fichas, fichas, fichas’ também se pode tornar num problema e gerar mais confusão. Não para mim, sou acérrima defensora da qualidade em detrimento da quantidade e não acho que um bom trabalho se meça pelo volume de papel gasto.

 

Acredito que ninguém aprende verdadeiramente sem que a matéria lhe faça sentido, e nada faz sentido se for feito contrarrelógio, só para obter um Muito Bom. Este virá por si, ao tempo e ritmo certos, para cada um. E as aprendizagens permanecerão, porque são entendíveis, porque estão interligadas e não porque foram decoradas para enfiar numa resposta e fazer um brilharete e esquecer depois.

 

Vamos transformar esta exigência acreditando na nossa experiência, naquilo que o nosso coração nos diz. Para que o ponto E dos nossos alunos, filhos e sobrinhos (e o nosso também) deixe de ser de Esgotamento e passe a ser de Enriquecimento, Entendimento, Emoção. Para que o saber seja sempre sinónimo de aprendizagem. Para que cada um tenha o seu compasso e este o leve ao encontro do conhecimento. Para que eu continue a querer que tudo saibas, quando tu estiveres pronto para tudo saber.

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Sónia Vaz

 

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