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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Lamento Querida… Mas Não Tenho Notícias Boas Para Lhe dar

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz 

 

Foi assim que começou o discurso da médica de bata impecável que tentava encontrar vida dentro de mim. Quando percebeu que a luz que pisca na ecografia, a que é o bater do coração, não piscaria. E que aquele coraçãozinho, não mais bateria. Foi assim naquele dia, mas já havia vivido outro igual naquele terrível janeiro.

 

Hoje escrevo para vocês. Para todas as mães que conhecem a angústia de tal momento, o choque de tal sensação. Para as que voltaram a ser mães depois e também para as que ainda não conseguiram. Escrevo de dentro das minhas entranhas, na esperança de que esta dor seja uma dor compreendida e não, como senti que foi comigo, sacudida por um mero “tentas mais tarde” ou “qualquer dia tens outro”, ou ainda “já tens dois, querias mesmo mais um?”. Queria. Claro que queria. E também queria que me tivessem deixado chorar sem terem pressa de que voltasse a ser feliz de novo.

thumbnail_pastedImage.pngCréditos: Pixabay 

 

Engravidei pela terceira vez sem planear. Sofri um aborto tardio às 14 semanas. Voltei a engravidar passados uns meses. Voltei a perder. Quase me perdi de mim. Quase me perdi do sentido da minha existência, do amor dos meus filhos, da minha família. Sofri muito. Imenso. Sózinha. Porque ninguém nos deixa chorar.

 

Os primeiros dias no infantário

A Guida é educadora de infância nos Jardins-Escola João de Deus há quinze anos. Diz não haver uma "fórmula perfeita, nem receitas iguais para todas as crianças" no que respeita a adaptação à creche ou ao jardim-de-infância. Os primeiros dias são difíceis. Penosos mesmo. Para crianças, pais, educadoras e auxiliares. Há birras, muito choro e o "não quero ir para a escola", durante várias manhãs por um período indeterminado! Nas próximas linhas, irão encontrar as sugestões da educadora Guida Jónatas para que o processo de adaptação ao infantário seja o menos doloroso possível para todas as partes envolvidas. 

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Aconselhas que a entrada, pela primeira vez, de uma criança na escola seja feita de que forma, gradual ou repentina?

Sugiro sempre que a entrada seja gradual. Por exemplo, aconselho que no primeiro e segundo dia a criança fique na escola só durante o período da manhã, almoçar em casa e passar o resto do dia com a família.

 

Somos Todos Grãos de Areia

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz

 

Terminaram as férias e estamos todos de esperanças renovadas para este ano letivo que agora se inicia. E se enquanto professora tenho os meus planos e ideias, enquanto mãe, tenho também algumas angústias que se prendem com o facto de a minha filha ingressar agora no 1º Ciclo.

Mas antes disso, vou voltar a agosto. Ao dia em que ela me perguntou porque é que a praia tem de ter areia. Resposta simples. Para termos onde estender a toalha. Não lhe bastou. Está bem, mas porquê? 

roter-sand-2042738_960_720.jpg(Créditos: Pixabay

 

Porque o mar e o vento batem nas rochas e as vão desfazendo em pedacinhos que por sua vez vão batendo uns nos outros e se tornam mais pequeninos. É isto que é a areia. Restos de rocha. E também de conchas. Ah. Entendeu. E depois? Depois de quê? Depois de ser areia? Bem, depois de ser areia, volta a ser rocha. Outra vez? Sim, às vezes os grãos voltam a colar e formam uma rocha que se chama arenito. Continua a não gostar da areia na praia, mas entendeu e entendeu porque se encontrava no contexto. E porque são estas as melhores lições.

 

É isto que eu desejo e planeio e quero promover este ano. Aproveitar as oportunidades para ensinar as coisas que as crianças querem realmente aprender. 

 

Terra há (MESMO) só Uma

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz 

 

Férias. Enfim as desejadas férias de verão. Tempo de carregar baterias, ir a banhos, jantar ao ar livre, ficar na praia até ao pôr-do-sol. Mas ainda assim, tempo de continuarmos a respeitar a nossa missão enquanto cidadãos do mundo, de não nos despedirmos dos nossos valores, de não nos esquecermos que existem bens maiores e que, às vezes, mesmo em tempo de nada fazer temos mesmo que nos chatear.

 

Estou no Algarve com a minha família. Um dia destes vinha na rua com a minha irmã e estava um grupo de quatro adolescentes a passar. Um deles tinha uma garrafa de vidro na mão e estava a ‘enterrá-la’ num arbusto. Os outros, em tom de gozo, diziam-lhe: “Tens um vidrão mesmo aqui à frente, não me digas que vais deixar a garrafa aí!”

rubbish-1576990_960_720.jpg(Créditos: Pixabay

 

O meu sangue ferveu, mas sabia que se falasse naquele momento, por estar tão aborrecida não ia conseguir o que queria. Respirei. Andei para trás no tempo.

 

Se Eu Não Gostar de Mim… Quem Gostará?

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz

 

Final do ano letivo. Aquela altura maravilhosa em que toda a gente me pergunta se já estou de férias, quando ainda não tive um minuto para mim. Altura de papelada e burocracia. De arrumar o ano que acabou e de pensar no que vem aí. E também, altura de entregar notas. As terríveis notas. Ou as excelentes notas. Mas nunca, exatamente, as que os pais sonharam para os seus filhos. Ou as que consideram justas.

pastedImage.png(Créditos: Pixabay)

 

Vivemos numa escola tiranizada pela cultura do Muito Bom. Em que muitos pais questionam: “Se o meu filho teve 95% no teste, porque é que apenas teve Bom na pauta final?”. E porquê?

 

Os Melhores Professores do Mundo

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz

 

É dia da criança. Dia de pensar mais nos seus direitos que deveres. Dia de brincar. Dia de ser livre, de ser autêntico, de ser mimado. É o dia deles e também o nosso, se somos adultos que se recusaram a crescer sérios, graves, obtusos. 

pastedImage.png (Créditos: Pixabay)

 

Tenho por isso, que falar das minhas crianças. Aquelas que me inspiram, me ajudam a ser melhor e me ‘obrigam’ a brincar.

 

Completa(MENTE) 12

Perdidos na Perda

 

Ninguém gosta de falar do que perdeu. É-nos muito mais fácil falar do emprego novo, do carro novo, do amigo novo. É assim a nossa natureza. Varremos as tristezas para debaixo do tapete e deixamo-las assombrar-nos apenas no escuro quente da nossa cama, onde nos habituamos a chorar baixinho. Como se chorar fosse uma coisa terrível, e não algo inerente à nossa condição humana. Por isso, os nossos filhos, ou alunos quando choram, sentem que estão a fazer algo errado. Algo que nem os professores, nem os pais fazem. Ou não.

 

Admito. Sou uma chorona. E acredito que o facto de ser assim, me ajuda a ser melhor pessoa, mais bem resolvida. Já chorei inclusivamente em frente a pais e alunos, na festa de final de ano de uma escola onde trabalhei durante nove anos. Sempre que os alunos finalistas atuavam, depois de termos passado quatro anos juntos, chorei. Numa dessas vezes, eles saíram do palco e vieram abraçar-me. Só de pensar nisso, e já passou algum tempo, tenho os olhos rasos de lágrimas.

pastedImage.png(google imagens)

 

Mas raramente pensamos que os miúdos, na sua existência tão pequenina, também perdem muitas coisas e pessoas. E que têm o direito de sofrer por elas. De chorar pela professora favorita. Pelo melhor amigo que foi viver para Angola, ou que simplesmente já não quer brincar com ele. Por não ter sido convocado para o jogo. Pelo gato, pelo cão e inevitavelmente um dia, pelo avô, pelo pai. Nada na vida nos prepara para essas situações, mas elas fazem parte do que se chama estar vivo e não me parece nada bem tentar fazer com que esteja tudo bem, quando na realidade, está tudo mal. Não será até desumano privarmos as crianças dessa dor?

 

Não lhes digamos que tudo vai voltar ao normal, quando sabemos que nada volta a ser igual. Ensinemos-lhes a aceitar a dor dessa perda, seja ela qual for. Falemos dela. Falemos até não haver mais nada para falar. Choremos até não haver mais nada para chorar. Ou então desenhemos até, como sugere a Sandra Fartaria no seu mais recente livro ‘Avossauro’. Mas não façamos nunca de conta que está tudo bem. Porque não está.

 

Vivemos numa sociedade demasiado ocupada para termos tempo de ajudar a curar alguém. Mas os nossos meninos merecem esse tempo e acima de tudo, merecem saber que têm o direito a estar tristes até voltarem a estar felizes de novo. Porque se o soubermos fazer, é isso que acaba por acontecer. Uma perda bem resolvida ajuda-nos a crescer, a encontrarmo-nos. Uma perda despachada com ‘cola cuspo’ fica para sempre, fica-nos ficar perdidos para sempre.

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Sónia Vaz

Completa(MENTE) 11

Eu Falo, Tu Falas… Eles Comunicam

 

Sim. É enorme a diferença entre falar e comunicar. Comunicar, mais do que falar bem é também, ouvir bem. Mas temos muito pouco tempo para ouvir, andamos sempre com os minutos contados e a cortesia, essa, muitas vezes fica pelo caminho. Com os nossos filhos, os nossos alunos e… também com os pais deles. É acerca desse tipo (ou falha) de comunicação de que vos venho falar hoje, da que acontece entre pais e professores e que está no início da maioria dos conflitos a que assisto (ou de que faço parte).

pastedImage.png(Fonte: imagens google)

 

Noutro dia durante o meu horário de atendimento recebi uma mãe, para resolver um desses mal-entendidos.

 

Completa(MENTE) 10

A Arte Rara de Elogiar

 

Março começou com um dia dedicado aos elogios. Essa arte rara, num mundo em que cada vez mais é fácil ‘odiar sem critério’ - passo a expressão que ouvi do Nuno Markl - e que logo pela manhã me fez sentir que seria este o tema para o meu post, embora ainda não estivesse certa de como desenvolvê-lo.

 

Fui então para a escola, à espera de pistas. Ou melhor, à espera que as pistas me encontrassem a mim. E como sempre acontece, também desta vez foi assim. Entrei na sala dos professores para começar a escrever e encontrei uma das psicólogas da escola que tinha um livro que me chamou à atenção. Sentei-me perto dela e pedi para espreitar. Ela respondeu que sim e depois disse-me: “Sabes que hoje é o dia do elogio? Quando ouvi, lembrei-me logo de ti!”. Grata, ouvi que o meu sorriso lhe dá energia naqueles dias mais difíceis. Estava decidido. Escreveria acerca desta raridade que é elogiar.

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Mas porque é que é tão difícil dizermos bem? Não estaremos todos demasiado preocupados com uma perfeição que simplesmente não existe?

 

Completa(MENTE) 9

A professora que sabe as letras das músicas todas…

 

Ensino crianças do primeiro ciclo, e como tal, é comum receber desenhos e papelinhos com mensagens amorosas dos meus alunos (pedidos de desculpa, agradecimentos ou apenas manifestações de carinho). No início de 2018, porém, recebi um bilhete de feliz ano novo para a “professora que sabe as letras das músicas todas”. 

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E isto fez-me pensar. Primeiro, em quão bem os meus alunos me conhecem, segundo, no tema para esta rubrica. A música. E como a sua utilização na sala de aula (e em casa) nos pode ajudar a acalmar as nossas feras. 

 

Como sabem, sou de natureza reflexiva, e desde cedo, sempre, em tudo, me habituei a ter a música como companhia. Quando estou a trabalhar, a cozinhar, a tomar banho, a adormecer os meus filhos, a divertir-me, a conduzir, a pensar, a escrever… Nunca tinha tido a noção de que é mesmo constantemente (apesar de o meu filho fazer reclamações inúmeras de que passo a vida a ouvir “aqueles fados brasileiros” – a melhor descrição de sempre para as lindas baladas da Maria Gadú que me enchem o coração). Por sua vez, na escola, não sou mais do que uma uma extensão de mim própria, e como tal, a música também lá está, amiga fiel, para me acompanhar. Nada de novo. Podem pensar. Vários professores o fazem. E eu própria fui mudando (aumentando) a minha maneira de usar a música. Sou professora de inglês e ensino, sobretudo, alunos com idades compreendidas entre os 4 e os 10 anos. Desde sempre tive que ensinar canções. Mas cedo passou a ser mais do que isso. Comecei a fazer as minhas próprias rimas e rotinas de aula a cantar. Cantar para lhes pedir silêncio, para fazerem fila, para passarem do tapete para a mesa.

 

Mas sentia que não chegava. Continuava a sentir dificuldades em controlar o tempo de certas atividades. E então, comecei a usar a música de outra forma. Assim, enquanto os alunos copiam o sumário – e não queremos que eles demorem vinte minutos a fazê-lo – passo uma música, e eles sabem que é esse o tempo que têm para executar essa tarefa. Também quando fazem exercícios, em pares ou individualmente, o tempo de realização é negociado dessa forma. Uma canção ou duas? Quando a música para, todos param para dar lugar à correção.

 

Também uso música de relaxamento e meditação durante os testes, para ficarmos todos mais tranquilos (sim, também fico stressada) e pensarmos melhor. Quando há conflitos e todos temos de ficar dois minutos a pensar na vida. Quando a turma está agitada e temos de fazer silêncio.

 

Música para dançar, para estreitar relações, relaxar, cantar, sorrir. Tornar mais leve o tempo da aula, mais prazerosa a atividade, mais rápida a assimilação. Música para tudo, para todos, sempre. Que como diz a Maria de Vasconcelos, “tudo é mais fácil a cantar”.

 

E vocês, como vivem com a música?

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Sónia Vaz 

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