Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Completa(MENTE) 11

Eu Falo, Tu Falas… Eles Comunicam

 

Sim. É enorme a diferença entre falar e comunicar. Comunicar, mais do que falar bem é também, ouvir bem. Mas temos muito pouco tempo para ouvir, andamos sempre com os minutos contados e a cortesia, essa, muitas vezes fica pelo caminho. Com os nossos filhos, os nossos alunos e… também com os pais deles. É acerca desse tipo (ou falha) de comunicação de que vos venho falar hoje, da que acontece entre pais e professores e que está no início da maioria dos conflitos a que assisto (ou de que faço parte).

pastedImage.png(Fonte: imagens google)

 

Noutro dia durante o meu horário de atendimento recebi uma mãe, para resolver um desses mal-entendidos.

 

Completa(MENTE) 10

A Arte Rara de Elogiar

 

Março começou com um dia dedicado aos elogios. Essa arte rara, num mundo em que cada vez mais é fácil ‘odiar sem critério’ - passo a expressão que ouvi do Nuno Markl - e que logo pela manhã me fez sentir que seria este o tema para o meu post, embora ainda não estivesse certa de como desenvolvê-lo.

 

Fui então para a escola, à espera de pistas. Ou melhor, à espera que as pistas me encontrassem a mim. E como sempre acontece, também desta vez foi assim. Entrei na sala dos professores para começar a escrever e encontrei uma das psicólogas da escola que tinha um livro que me chamou à atenção. Sentei-me perto dela e pedi para espreitar. Ela respondeu que sim e depois disse-me: “Sabes que hoje é o dia do elogio? Quando ouvi, lembrei-me logo de ti!”. Grata, ouvi que o meu sorriso lhe dá energia naqueles dias mais difíceis. Estava decidido. Escreveria acerca desta raridade que é elogiar.

pastedImage.png

Mas porque é que é tão difícil dizermos bem? Não estaremos todos demasiado preocupados com uma perfeição que simplesmente não existe?

 

Completa(MENTE) 9

A professora que sabe as letras das músicas todas…

 

Ensino crianças do primeiro ciclo, e como tal, é comum receber desenhos e papelinhos com mensagens amorosas dos meus alunos (pedidos de desculpa, agradecimentos ou apenas manifestações de carinho). No início de 2018, porém, recebi um bilhete de feliz ano novo para a “professora que sabe as letras das músicas todas”. 

27745036_1293060370793506_1747006221_o.jpg

E isto fez-me pensar. Primeiro, em quão bem os meus alunos me conhecem, segundo, no tema para esta rubrica. A música. E como a sua utilização na sala de aula (e em casa) nos pode ajudar a acalmar as nossas feras. 

 

Como sabem, sou de natureza reflexiva, e desde cedo, sempre, em tudo, me habituei a ter a música como companhia. Quando estou a trabalhar, a cozinhar, a tomar banho, a adormecer os meus filhos, a divertir-me, a conduzir, a pensar, a escrever… Nunca tinha tido a noção de que é mesmo constantemente (apesar de o meu filho fazer reclamações inúmeras de que passo a vida a ouvir “aqueles fados brasileiros” – a melhor descrição de sempre para as lindas baladas da Maria Gadú que me enchem o coração). Por sua vez, na escola, não sou mais do que uma uma extensão de mim própria, e como tal, a música também lá está, amiga fiel, para me acompanhar. Nada de novo. Podem pensar. Vários professores o fazem. E eu própria fui mudando (aumentando) a minha maneira de usar a música. Sou professora de inglês e ensino, sobretudo, alunos com idades compreendidas entre os 4 e os 10 anos. Desde sempre tive que ensinar canções. Mas cedo passou a ser mais do que isso. Comecei a fazer as minhas próprias rimas e rotinas de aula a cantar. Cantar para lhes pedir silêncio, para fazerem fila, para passarem do tapete para a mesa.

 

Mas sentia que não chegava. Continuava a sentir dificuldades em controlar o tempo de certas atividades. E então, comecei a usar a música de outra forma. Assim, enquanto os alunos copiam o sumário – e não queremos que eles demorem vinte minutos a fazê-lo – passo uma música, e eles sabem que é esse o tempo que têm para executar essa tarefa. Também quando fazem exercícios, em pares ou individualmente, o tempo de realização é negociado dessa forma. Uma canção ou duas? Quando a música para, todos param para dar lugar à correção.

 

Também uso música de relaxamento e meditação durante os testes, para ficarmos todos mais tranquilos (sim, também fico stressada) e pensarmos melhor. Quando há conflitos e todos temos de ficar dois minutos a pensar na vida. Quando a turma está agitada e temos de fazer silêncio.

 

Música para dançar, para estreitar relações, relaxar, cantar, sorrir. Tornar mais leve o tempo da aula, mais prazerosa a atividade, mais rápida a assimilação. Música para tudo, para todos, sempre. Que como diz a Maria de Vasconcelos, “tudo é mais fácil a cantar”.

 

E vocês, como vivem com a música?

thumbnail_2017-07-02-PHOTO-00000294.jpg

Sónia Vaz 

Completa(MENTE) 8

Tecnologia (apenas uma colher de chá)

 

Eu sei. Eu sei que não nos podemos alienar do mundo, nem privar os nossos filhos ou alunos do contacto (tão importante para a sua futura vida profissional, com a qual passamos a vida tão preocupados, e para a qual os preparamos intensamente, diariamente – soou sarcástico? Era mesmo para sê-lo!) com computadores, tablets e outros ‘gadgets’. É um facto, queiramos ou não. Gostemos, ou não.

 

Confesso, a facilidade (o comodismo!) de um quadro interativo (ou de um projetor) faz maravilhas numa sala de aula. Não só para a exposição de matérias, mas porque temos tudo ali tão à mão: imagens, vídeos, dicionários, o mundo. Mas uma aula tem de ter mais do que isso, pois na minha opinião, estas ferramentas prendem o professor à parte da frente da sala de aula, e embora do ponto de vista visual, atraia os alunos, do ponto de vista humano, afasta-nos deles. Perde-se a essência de todo o processo ensino-aprendizagem, porque toda a aula está centrada no professor e na manipulação da informação, em lugar de estar focada no aluno. Ora isto, não me parece nada o ensino que se quer no séc XXI.

4273-thumb.jpg

Usemos então apenas uma colher de chá de tecnologia, na extensa receita do nosso plano de aula. Para se mostrar o vídeo ou explicar a matéria. Depois, deixemos de ser o centro das atenções e passemo-las para quem delas precisa: os nossos alunos. Estes devem trabalhar autonomamente, em pares ou pequenos grupos. Devem colaborar, discutir, trocar ideias (sem estarem a olhar para o quadro, sem estarem a olhar para nós). E nós, não fazemos nada? Claro que sim. Mediamos os conflitos, lançamos sementes com ideias, tiramos dúvidas, chegamos aos nossos alunos, estamos com eles, lado a lado, de igual para igual, envolvidos no trabalho, sem dar pelo tempo passar. A sério, experimentem. É maravilhoso. Às vezes, dou por mim, ao fundo da sala, em silêncio, a observar. É verdade, eles estão a conversar, mas também estão mesmo a trabalhar. A APRENDER.

 

Também sei de cada vez mais escolas que estão a implementar um ensino sem livros ou cadernos em papel (sou apaixonada por livros, isto parte-me o coração). Apenas tablets ou computadores portáteis. Claro que aí não dá para usar apenas uma colher de chá. Vou parecer mesmo old fashioned agora. Mas não entendo quais as vantagens, a começar pela visão dos nossos alunos, de tais projetos. Parecem-me interativos do ponto de vista tecnológico, e modernos, sim. Mas há interação entre os alunos? Há socialização? A escola forma pessoas para viver no mundo, pessoas que têm de se relacionar, dialogar, abrir mão das suas ideias, ouvir os outros, levar as suas ideias para a frente…

 

Não estaremos a ser um pouco escravos do avanço tecnológico em detrimento de outras capacidades que os nossos alunos também devem desenvolver?

 

Fica a pergunta. (E as repostas não precisam de ser q.b.😁)

thumbnail_2017-07-02-PHOTO-00000294.jpg

Sónia Vaz 

 

Completa(MENTE) 7

Penso, Logo Existes

 

(ou Como Usufruir dos Princípios da Parentalidade Consciente Numa Educação com o Mesmo Nome)

 

Como sabem, a Cátia e eu fomos a um workshop acerca de Parentalidade Consciente, a convite da minha amiga, formadora e coach, Fátima Gouveia e Silva. Uma vez que a nossa ‘Rapariga’ já falou do tema (e bem), vou apenas dar-lhe uma nova abordagem sob a luz do meu olhar de profissional do ensino.

 

Assim, quando aqui me referir à Parentalidade, na realidade estarei a falar sobretudo de relações entre humanos (como o explicou a nossa formadora) e a transpor o valioso conteúdo daquela manhã de sábado para o palco que piso diariamente: a sala de aula. São a mesma coisa?

 

Completa(MENTE) 6

Só Sei que Quero que Tudo Saibas

 

Esta é bem capaz de ser a maior frustração de qualquer adulto ao tentar ensinar uma criança (ou um grupo delas). Ou porque há teste e queremos que tenham uma boa nota, ou porque há trabalhos de casa longos (que parecem intermináveis no final de um dia de trabalho), ou porque ninguém gosta de dizer que o seu filho, aluno ou sobrinho não aprende tudo só de ouvir uma vez. Estaremos a ser demasiado exigentes com as nossas crianças? Ou estamos a deixar-nos afetar pelas opiniões dos outros, pelas notas dos outros, pelo que queríamos ter sido, pelo que queremos que os nossos filhos, alunos e sobrinhos sejam?

 

Respirar. É a palavra de ordem. Mas como Exigir sem romper o ponto E? Esgotamento. Vivemos demasiado para os resultados e pouco para os atingirmos. Esgotamo-nos e esgotamo-los a eles, e embora possa haver um ou outro caso que seja bem-sucedido, na sua maioria, estas crianças vão odiar aquilo que de mais precioso a nossa sociedade tenta fazer por elas: dar-lhes acesso a uma educação (que eles não valorizam, pois desconhecem outras realidades, ou até o passado do nosso país, em que a mesma não era acessível a todos).

image.pngOntem fui a uma formação excelente, onde nos mostraram como preparar crianças para exames. E afinal, é possível fazê-lo sem stress, levando-as a acreditar que estão a brincar, ensinando sem que haja pressão, ditadura, gritos. Sem que a educação seja um agente disruptivo do saber, mas antes, o caminho tranquilo, direcionado, para o mesmo. E para o futuro. E o mais giro, é que não dá assim tanto trabalho a planificar. Embora tenha um reverso: um exercício pode demorar uma aula inteira a ser realizado, o que para os defensores das ‘fichas, fichas, fichas’ também se pode tornar num problema e gerar mais confusão. Não para mim, sou acérrima defensora da qualidade em detrimento da quantidade e não acho que um bom trabalho se meça pelo volume de papel gasto.

 

Acredito que ninguém aprende verdadeiramente sem que a matéria lhe faça sentido, e nada faz sentido se for feito contrarrelógio, só para obter um Muito Bom. Este virá por si, ao tempo e ritmo certos, para cada um. E as aprendizagens permanecerão, porque são entendíveis, porque estão interligadas e não porque foram decoradas para enfiar numa resposta e fazer um brilharete e esquecer depois.

 

Vamos transformar esta exigência acreditando na nossa experiência, naquilo que o nosso coração nos diz. Para que o ponto E dos nossos alunos, filhos e sobrinhos (e o nosso também) deixe de ser de Esgotamento e passe a ser de Enriquecimento, Entendimento, Emoção. Para que o saber seja sempre sinónimo de aprendizagem. Para que cada um tenha o seu compasso e este o leve ao encontro do conhecimento. Para que eu continue a querer que tudo saibas, quando tu estiveres pronto para tudo saber.

thumbnail_2017-07-02-PHOTO-00000294.jpg

Sónia Vaz

 

Completa(MENTE) 5

Espelho Meu, o Que Vejo és tu ou Sou Apenas eu?

 

Não. Não quero saber quem é a mais bonita cá do reino. Nem sequer quero contar um conto de fadas, ou uma tragédia, ou o que quer que seja. Mas sim, quero olhar-me ao espelho e saber o que ele diz. De mim. De todos eles. Mas não um espelho qualquer. Um espelho que são eles. Os meus alunos (e em casa, os meus filhos também). Eles sim, são o melhor, o mais fiável espelho das nossas atitudes e reações, ensinamentos e deceções.

 

Descobri isto ainda cedo na minha carreira. Tinha muito pouca experiência e por isso, este foi apenas “um saber de experiência feito”. De experiência e reflexões. De muitas horas a pensar no que correu bem, e no que correu mal. Principalmente, no que correu mal. Quando corre tudo bem, ou quando achamos que corre tudo bem, é porque não se pensa. E se não se pensa, não se aprende, não se evolui. Peço sempre aos meus alunos para me dizerem o que menos gostaram em cada aula, cada projeto. A princípio, antes de me conhecerem, muitos retraem-se, não querem dizer. Mas quando lhes digo, para não terem medo, que apenas quero que me ajudem a ser melhor, muitos são os que me ajudam e me constroem. A esses, estou grata, eternamente grata. E nesses, penso, se melhoro, cresço.

 

Apesar desta ajuda por parte dos meus alunos, fiz a outra parte da descoberta olhando-me ao espelho. Neles. Aceitando e entendendo que os meus alunos são o meu reflexo e as suas atitudes, o espelho das minhas. Percebi que quando as coisas corriam mal numa determinada aula, raramente era (só) por causa dos alunos. Não me interpretem mal, há alunos muito difíceis que tornam os nossos dias num pesadelo, é certo. Mas acredito, que a forma como lidamos com esses meninos ou meninas é fundamental para o sucesso.

 

Se estou insegura, me vejo numa situação que não antevi, não tive tempo de preparar a aula ou simplesmente estou com problemas pessoais, fico nervosa. Se estou nervosa, não me entrego ao meu trabalho da mesma forma. Se percebo que o trabalho está a correr mal fico ansiosa. Se fico ansiosa perco a conexão com os meus alunos. Se perco a conexão, eles perdem a atenção. Se perdem a tenção, chateio-me. Se me chateio, ignoram-me. Ralho-lhes. Se lhes ralho, perco o respeito por eles. Logo, perdem o respeito por mim. Sem respeito mútuo não há escola, não há aprendizagem. Sem escola, não há futuro. Sem futuro, sem respeito, não somos nada.

pastedImage.png

Olhemo-nos ao espelho. As crianças (as pessoas!) apenas copiam a forma como as tratamos. Se nos falam mal, temos vontade de ser amigos dessa pessoa? Claro que não. Se sorrimos a alguém e não nos cumprimentam de volta, ficamos com boa impressão dessa pessoa? Claro que não. Se não somos os primeiros a respeitar os nossos alunos, a admirá-los, a confiar e a estimular as suas capacidades, algum dia estes vão respeitar-nos, admirar-nos, acreditar em nós? Claro que não. Sem reciprocidade, sem amizade, sem um sorriso cresce a insegurança. Na insegurança vivemos sós. Os nossos alunos fazem tudo aquilo que nós acreditamos que conseguem fazer. Acreditemos mais. Demos-lhes mais. Sejamos o espelho seu. E neles, veremos o que lhes damos. E se virmos pouco, não os culpemos. Demos-lhes mais. Nunca é demais. Espelho meu… o que vejo não és só tu. Não sou só eu. És tu, com um grande pedaço meu.

 

thumbnail_2017-07-02-PHOTO-00000294.jpg

Sónia Vaz

 

Completa(MENTE) 4

De(em-me a) volta à escola

 

Setembro. Ainda no início e cá em casa já ouço chorar por causa do regresso às aulas. Setembro. Ainda no início e eu, já a sonhar com o regresso às aulas. O meu filho detesta a escola. Eu sempre adorei a escola. Adoro a escola. Dúvidas, ansiedade. Se este tipo de problemas afeta a maioria dos pais, imaginem como incomodará uma mãe que é professora. Inferno.

 

Sei que o meu filho, tal como eu, não é um caso isolado. Muitos são os meninos que não gostam da escola. Muitos são os professores que adoram a escola. Mas também há muitos meninos que adoram a escola. E embora me custe a crer, haverão alguns professores que não adorem a escola. O que fazer? Como limar divergências? Como chegar à harmonia sem que o futuro dos nossos filhos seja comprometido?

 

É uma luta. E como tal, não pode ser travada apenas por um lado. Tem de haver entrega, confiança e motivação de ambos – aluno e professor. Claro que nós pais temos um (muitas vezes frustrante) papel essencial. Parte de nós, apenas de nós, cultivar o gosto pelo saber, desde tenra idade. Parte também de nós, o respeito pelo professor e pelas suas atitudes, mesmo quando delas discordamos. Digo sempre ao meu filho, mesmo que sinta o contrário e o coração apertado, que se a professora o chama à atenção (grita, nas palavras dele) é porque gosta dele e quer que se torne numa melhor versão de si próprio. Nunca falei mal da professora em frente a ele, pois é necessário que a respeite se queremos encontrar uma solução (e queremos).

 

Por outro lado, quando falamos com o professor é necessário que ele saiba exatamente o que se passa em casa (as birras, os gritos, os sentimentos de injustiça) e que lhe expliquemos a melhor forma de chegar aos nossos filhos. Às vezes as pessoas precisam de ajuda, não é vergonha para ninguém. Há crianças muito difíceis e nem sempre a inspiração nos chega. Compreensão.

pastedImage.png

 

Podia dizer, que uma vez mais a solução está no amor (e está). Mas não me quero repetir. Se queremos alunos felizes ao voltar à escola, temos mesmo de lhe(s) dar a volta e a alguns dos seus preconceitos. Por exemplo, é um lugar-comum dizer que a família educa e a escola ensina. Concordo mas discordo. Esta afirmação, embora correta, está tremendamente incompleta se queremos proporcionar um ensino de qualidade que prepare as nossas crianças a vencer no voraz século XXI. Ambos são um dever de todos.

 

Só quando estes miúdos perceberem que a escola e a família partilham os mesmos valores e esperam o mesmo deles, deixarão de haver problemas. Temos de nos unir, de entender, de deixar de criticar, de ouvir, de refletir e de mudar. Todos. Temos de nos melhorar todos os dias, de nos reinventar, de saber pedir desculpa. Já pedi desculpa aos meus alunos se achei que fui injusta e não vejo mal nenhum nisso. Pelo contrário, parece-me que o que daí nasce é muito mais importante do que qualquer orgulho ou posição. Não estou a dizer para sermos amigos ou pais dos nossos alunos. Mas um pouco de cumplicidade, de humanidade, de erros, de defeitos, de aceitação, de diálogo, faz falta, muita falta.

 

Estamos no início. Setembro. Vamos usar a energia renovada pelas férias para pensar e mudar? Vamos dar a volta à escola? Vamos voltar e querer ficar? Permanecer. E com estes miúdos e os seus talentos fazer coisas maravilhosas que os faça querer sempre voltar. Mas para isso, temos mesmo de lhes dar a volta – completaMENTE 😁

 

thumbnail_2017-07-02-PHOTO-00000294.jpg

Sónia Vaz

 

CompletaMENTE (3)

A Escola e o AMR

 

Na maior parte das profissões, ser um bom trabalhador implica ser um pouco frio, separar bem as águas, colocar ganhos acima de pessoas. Não na minha. Há pouco, em conversa com a professora do meu filho, esta acabou por me confessar que por mais que tente, se envolve sempre e que isso é mau. Que a faz sofrer.

 

Discordo absolutamente. CompletaMENTE! Envolvermo-nos com os nossos alunos não significa levarmos os seus problemas, famílias e questões para casa (aí já temos as nossas). Não. Para mim, esse envolvimento acontece na escola, tornando-a num espaço onde o aluno quer estar, aprender e partilhar – e quem sabe, muitas vezes esquecer as preocupações e demais bagagem emocional que traz do lar.

 

Aliás, isso acontece inúmeras vezes comigo. Chego à escola aborrecida com qualquer coisa e no momento em que entro na sala de aula e visto a minha roupagem de professora, os problemas pessoais e essa outra criatura, que também sou eu, desaparecem.

 

Nessa altura, acontece magia e bem-estar. Porque adoro a minha profissão e os meus alunos, claro. Mas também porque no meio disto tudo existe AMOR. Um amor desinteressado de bens materiais e centrado apenas no saber e nas pessoas. Um amor que envolve – sim, para ensinar e aprender todos temos de estar envolvidos – um amor que não evita, pelo contrário, confronta, suporta e faz crescer.

thumbnail_2017-07-12-PHOTO-00000326.jpg

 

Acredito que sem este amor, os alunos nunca sentirão respeito pelo seu professor e surgirão graves problemas de comportamento. Sem este amor, não há motivação para aprender e surgem as reprovações, frustrações, insucesso, resistência ao estudo. Sem este amor, a escola não é uma escola, mas só e apenas uma fábrica de matéria depositada em fichas e resumida num número (ou letra) ao final do período.

 

A escola é feita de pessoas e entre pessoas estabelecem-se relações. Se isso nos faz sofrer? Claro que sim, muitas vezes. Mas também nos faz acreditar e sentir vivos. A escola não é o romance entre Ricardo Reis e Lídia, onde apenas se fica a ver o rio a passar – sempre sem sentir. A escola é o rio e estamos todos continuamente a ser levados pela sua corrente cheia de vida. Todos os dias. Todos os dias a correr para onde ele nos levar e todos os dias a aceitar. Com amor. Com um imenso AMOR. Que o resto, o resto depois vem, certamente.

 

thumbnail_2017-07-02-PHOTO-00000294.jpg

Sónia Vaz

 

CompletaMENTE (2)

Todos Diferentes, Todos Diferenciados

 

Conversa de mães enquanto esperam os filhos durante um jogo de futebol: filhos, escola, filhos, escola. Invariavelmente, filhos e escola. Temas transversais, comuns a todos e supostamente ligeiros, não sendo, no entanto, ligeiros ‘at all’. Uma das mães de um amigo do meu mais velho dizia num desses encontros, que uma das professoras da escola do seu era menos popular entre os pais por trabalhar com os seus alunos em grupos, de acordo com o seu aproveitamento. Que os pais sentiam que a professora exclui e rotula.

 

Primeiro pais, antes de serem vocês a rotular a professora, por favor, conversem com ela acerca das vossas preocupações. Depois, muito embora, não conheça de todo o trabalho da profissional em questão, arrisquei pensar (e bolas, pensei mais uma vez em voz alta) que se calhar a senhora crucificada seria aquela, que muito provavelmente trabalha melhor. Espanto. Clarifiquei então, exatamente da forma que explico também o meu filho, quando este se queixa de ser tratado de forma ‘diferente’ (por mim, pela professora, pelas primas, por todos).

 

Não sei porque é que ser diferente, nunca significa ser melhor. É sempre mal interpretado, arredondado para baixo. Mas não na escola. Na escola todos são diferentes e todos gostamos disso. Incluímos, valorizamos, aprendemos com as singularidades de cada um. A bem dizer, uma escola inclusiva não colmata as diferenças, anulando a personalidade de cada um. Uma escola inclusiva diferencia para que todos os alunos, quaisquer que sejam os seus talentos ou dificuldades, se sintam integrados, motivados e capazes.

 

Isto é diferenciação pedagógica e está na lei (sim pais, é obrigatória!), mas qualquer professor competente dispensa a lei e a aplica diariamente para ajudar os alunos mais distraídos, para motivar os que terminam tudo em cinco minutos e depois só ficam a fazer disparates e para manter ocupados e interessados os alunos ditos ‘médios’. (Serão estes os grupos de que se falava? Certamente.)

 

Se todos somos diferentes, todos devemos ser diferenciados. A diferenciação pedagógica ajuda cada aluno a seguir o seu percurso de uma forma mais natural (holística, até), diminui o stress e atenua problemas de comportamento.

 

A diferenciação pedagógica não rotula, pelo contrário inclui e conclui que cada um tem o seu valor. Respeita, motiva e tem muitas formas, mas nenhuma se esconde sob o nome de discriminação.

pastedImage.png

 

Vivamos então com alegria o facto de sermos todos diferentes e necessários por essa mesma diferença. Por nos completarmos.

 

Afinal, todos diferentes, todos diferenciados!

 

pastedImage.png

Sónia Vaz

 

A Blogger

Sigam-me

Follow my blog with Bloglovin Follow

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D