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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Sou Duas Mães

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz 

 

(e parece que uma delas tem de ler a Constituição de 1822)

 

Sou duas mães. Porque tenho dois filhos diferentes, que precisam de coisas distintas, de afetos desiguais, de raspanetes distintos. Confesso, tomei consciência disto há imenso tempo e grande parte deste senti alguma relutância em aceitá-lo. Crescemos a ouvir que os nossos pais gostam igualmente dos nossos irmãos e de nós. Por isso, quando somos nós os pais, queremos que os nossos filhos sintam o mesmo. Mas eles nunca hão de sentir isso. Nem nós. E não se trata de mensurar o amor, porque tal coisa não existe. Principalmente o amor que sentimos por um filho, ou dois, ou dez. Não. É apenas aceitar. Que um nos ouve mais e o outro gosta mais de carinhos. Que um é curioso e precisa de respostas para tudo e o outro quer ficar sossegado no seu canto. Que um precisa de partilhar e o outro de guardar. Mas essa aceitação por vezes tarda em chegar e até lá, parece que andamos um pouco perdidos nesta coisa tremendamente difícil que é educar.

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O clique fez-se,

como quase sempre na minha vida, quando estava um dia a refletir acerca do amor incondicional que sinto pelos meus filhos. Se o mostro mesmo, sempre, aos dois. Amor verdadeiro, no matter what. Ao ler o que tinha escrito foi demasiado óbvio. Por ser um miúdo mais extrovertido, com quem tenho um imenso gosto em falar, era muito mais fácil demonstrar ao meu filho este amor incondicional, independente da zanga ou do disparate que ele tivesse feito. Pelo contrário até, de cada vez que nos chateamos, tornamo-nos mais próximos, mais confidentes. Até quando ele me diz que gosto mais da irmã e lhe explico, clara e conscienciosamente que não, que sou apenas duas mães. E ele entende. E também quando me aconselha ler a Constituição de 1822, que segundo ele, diz que ninguém pode proibir nada a ninguém (aparentemente ando a falhar nisto 😁) – mesmo aí demonstro INCONDICIONALMENTE o meu amor.

 

Mas a segunda mãe tem mais dificuldade nisso. Tem de pensar mais antes de agir, porque nunca sabe a tempestade que vai provocar – e provoca-as sempre. Esta number two em mim, não é tanto como eu, mas tem-me feito crescer tanto. Aprendi a aceitar que podia continuar a manter as minhas intenções e valores enquanto mãe e ainda assim, atender às necessidades da minha filha. Manter-me firme nas minhas convicções e mostrar esse amor que me está no peito, mas tão contraditório do que me sai pela boca durante os nossos confrontos. Ou saía. Que isto é um processo e eu também preciso de tempo para processar.

 

Tomar esta consciência e depois aceitá-la e trabalhá-la foi uma das melhores coisas que me aconteceu a par de ser mãe de duas crianças tão díspares. Hoje sou duas mães e sei-o. Amanhã serei melhor. E provavelmente eles também.

 

E vocês? Quantas mães são?

 

P.S. Nunca é demais agradecer à minha amiga Fátima Gouveia e Silva por este despertar, pois não?

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Sónia Vaz

Professora de Inglês (1º Ciclo)

 

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