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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Se Eu Não Gostar de Mim… Quem Gostará?

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz

 

Final do ano letivo. Aquela altura maravilhosa em que toda a gente me pergunta se já estou de férias, quando ainda não tive um minuto para mim. Altura de papelada e burocracia. De arrumar o ano que acabou e de pensar no que vem aí. E também, altura de entregar notas. As terríveis notas. Ou as excelentes notas. Mas nunca, exatamente, as que os pais sonharam para os seus filhos. Ou as que consideram justas.

pastedImage.png(Créditos: Pixabay)

 

Vivemos numa escola tiranizada pela cultura do Muito Bom. Em que muitos pais questionam: “Se o meu filho teve 95% no teste, porque é que apenas teve Bom na pauta final?”. E porquê?

Perguntar-se-ão vocês também? Eu explico. Porque um teste é apenas um papel. Que valida conhecimentos, sim. Mas num momento específico de avaliação. Um teste, não reflete, não pode refletir, por si só o que um aluno vale. Às vezes, alunos que “apenas” têm Bom nos testes podem ter Muito Bom no final. Outras, acontece o oposto. Estudar para um teste, obter Muito Bom e esquecer tudo no dia seguinte, não é aprender, não é isso que a escola quer. Isso é o que se faz numa fábrica de montagem, não o que se faz com crianças. Por isso, existem grelhas, para calcularmos tudo o que o aluno fez. Grelhas e bom senso, acrescento. Participação, empenho, trabalhos de casa, comportamento, colaboração. O teste é apenas uma fatia do bolo. Uma fatia, que durante muito tempo foi grande demais. Que ao longo da nossa vida escolar nos pesou e que agora transpomos para os nossos filhos e alunos, mas que na escola que queremos, na escola do século XXI, perdoem-me, mas não faz sentido. Um dia, ao conversar com a professora do meu filho, esta disse-me que se ele quisesse, poderia ser um aluno excelente. Respondi-lhe que discordava completamente. Que ele é um aluno excelente. Só não se enquadra nos parâmetros tradicionais da linha de montagem em que nos habituamos a viver. Na realidade, um aluno fora de série é aquele que pensa, que raciocina, que questiona. Não o que decora a matéria para o teste.

 

E depois vem a questão da autoestima, que também está na moda. Atenção. Acho a autoestima fundamental. Mas não a autoestima que se vende. Ele esforçou-se tanto para ter Muito Bom no teste e agora só teve Bom. Isso é muito mau para a sua autoestima. Well. Let’s agree to disagree. Não só não é mau, como de facto, é muito bom. A autoestima vem de dentro, não pode, não deve ser dependente da aprovação dos outros. Uma criança que aprende a lidar com a frustração, que se aceita como é, que sabe que erra, que entende que não tem sempre Muito Bom e que o seu valor não depende disso, vai ser um adulto muito mais bem preparado para lidar com a vida. Diria até, que esse é o mais poderoso antidepressivo que lhe podemos oferecer. A capacidade de se aceitar como é, independentemente das suas notas, agora, e mais tarde, das namoradas, das roupas de marca, do carro, da casa, do emprego. Pensem nisso, valorizem o empenho dos vossos filhos. Valorizem-nos por dentro, não por aquilo que a sociedade vos pede. Amem o que há de autêntico em cada um deles. É isso que os levará onde terão de chegar.

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Sónia Vaz

Professora de Inglês - 1º Ciclo

 

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Cátia Santos catiafsantos@hotmail.com

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