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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Pais Paparazzi

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz 

 

Não. Não pensem que vou falar daqueles pais que passam a vida a postar tudo o que os filhos fazem. Nada disso. Também não estou aqui para julgar. Longe disso. Muito pelo contrário, talvez esteja aqui um pouco para agradecer. Sim, agradecer aos meus pais por não terem sido paparazzi, mesmo tendo tido tantas razões para sê-lo.

 

Mas afinal o que são Pais Paparazzi (ou professores, primos, irmãos, amigos, namorados paparazzi – sim, serve para todos)? Para mim, são aqueles que vivem a vida dos seus filhos (alunos, primos, irmãos, namorados) como se esta fosse sua e com tal intensidade que se esquecem que existiam antes dessa relação, se anulam e tiranizam o outro achando que lhe estão a fazer o maior bem, só porque o amam acima de tudo.

love-2614754_960_720.jpgPixabay

 

Como é que os reconheço? Fácil.

Basta passar perto da escola dos meus filhos à hora do intervalo para vê-los pendurados (literalmente) no muro a espreitar as crianças enquanto brincam. Ou no restaurante, com o tablet à frente a ‘enfardar’ o miúdo de comida, preferencialmente com uma colher, sem que este faça parte da conversa familiar, sem que escolha o que vai comer, sem que levante os olhos do tablet e mesmo assim, os pais ficam os dois a olhar para ele e não falam um com o outro, pelo menos não de outra coisa que não seja o seu bijou. Estes pais morrem de medo que os seus filhos sofram de bullying e não entendem que são precisamente os seus filhos que provavelmente vão sofrer de bullying. Porque estes pais fazem tudo pelos filhos e por isso, os miúdos não sabem como agir perante uma situação desconhecida. Não sabem tomar uma decisão (sempre escolheram por eles o que comer ou vestir), não têm sentido crítico (estão fora das conversas familiares), não sabem como reagir a um não (tudo lhes é permitido) e logo, não conseguem enfrentar outros.

 

Nem sempre tive consciência do problema grave que isto realmente pode ser na vida dos miúdos. Muitas vezes, confesso, até me sentia mal ao pé destes pais, pensando que eles eram melhores que eu ou tinham relações mais próximas com os filhos. Mas depois pensei em mim. No exemplo que os meus pais me deram e no que me ensinaram. E ao voltar atrás percebi que sempre pude escolher tudo – roupas, estudos, amizades; que a minha opinião sempre contou para as chamadas decisões familiares, que era admirada ou chamada à atenção sempre que fosse necessário, que podia não comer carne se assim o entendia. Os meus pais educaram-me para não ter medo, para ir sozinha para todo o lado, para ser independente. Confiaram na educação que me deram e isso fez-me confiar em mim. Mas só soube disso aos 22 anos, quando fiz Erasmus e não tinha ninguém para me controlar – por minha conta e risco, fiz o melhor semestre do curso (e olhem que festas não me faltavam). Já a Maria Montessori afirmava que o importante não era a criança portar-se bem em frente ao adulto, mas também quando o adulto saía da sala. Melhor que ela, não posso dizer.

 

Saiam da sala. Deixem os vossos filhos sujarem-se, cair, chorar. Isso prepara-os para a vida e para as frustrações. Deixem-nos perceber que existe uma vida para além deles, que gostam de trabalhar e não que trabalham apenas para lhes poderem dar coisas. Digo isto aos meus filhos montes de vezes. Sou feliz a trabalhar, preciso de trabalhar para ser uma mãe melhor, pois se estiver feliz sou melhor pessoa. Também preciso de jantar fora com amigos, de ir ao cinema com o pai, de praticar yoga. Tal como vocês precisam de festas de anos, futebol, brincar na rua. Simples. Existes tu. Existo eu. E existimos nós.

 

Obrigada pai. Obrigada mãe. Estavam muito à frente do vosso tempo. ‘I’m everything I am because you loved me’.

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Sónia Vaz 

Professora de Inglês (1º Ciclo)

 

2 comentários

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    Sónia Vaz 10.12.2018

    Sim Sofia 😀
    Mas esta terminologia foi criada por mim e achei que se adequava melhor ao que queria transmitir.
    Obrigada!
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