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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Os primeiros dias no infantário

A Guida é educadora de infância nos Jardins-Escola João de Deus há quinze anos. Diz não haver uma "fórmula perfeita, nem receitas iguais para todas as crianças" no que respeita a adaptação à creche ou ao jardim-de-infância. Os primeiros dias são difíceis. Penosos mesmo. Para crianças, pais, educadoras e auxiliares. Há birras, muito choro e o "não quero ir para a escola", durante várias manhãs por um período indeterminado! Nas próximas linhas, irão encontrar as sugestões da educadora Guida Jónatas para que o processo de adaptação ao infantário seja o menos doloroso possível para todas as partes envolvidas. 

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Aconselhas que a entrada, pela primeira vez, de uma criança na escola seja feita de que forma, gradual ou repentina?

Sugiro sempre que a entrada seja gradual. Por exemplo, aconselho que no primeiro e segundo dia a criança fique na escola só durante o período da manhã, almoçar em casa e passar o resto do dia com a família.

É positivo que ao longo dos primeiros dias, a criança vá ficando na escola sempre um pouco mais horas para que a adaptação seja mais suave. Obviamente que para uma situação destas é preciso que a realidade familiar assim o permita. Apesar de nem sempre ser possível para as famílias proporcionarem às crianças uma entrada gradual, nós realçamos esse pormenor para quem tiver oportunidade de o fazer que o faça. 

 

O que é que os pais devem fazer/dizer no momento em que há choro e o "não quero ficar na escola"?

Em conversa com os pais, eu aconselho sempre a que nunca mintam às crianças. Não vale dizer que a mãe/pai vai só ali ao carro buscar uma coisa e volta já. Esse não é, de todo, o caminho. Passar sempre uma mensagem verdadeira é crucial, ainda que eles sejam muito pequenos e que achemos que não nos estão a perceber, nem a aceitar. Os pais devem dizer que vão trabalhar, porque é preciso, e que quando acabar vêm buscá-los para irem juntos para casa fazer não sei o quê. Não devem dizer "vens hoje, amanhã já não". Se mentirem num dia, a criança vai sentir-se enganada e no dia seguinte não confia no que está a ouvir. 

 

Já em sala, sem os pais, como é que as educadoras voltam a pôr as crianças confortáveis e seguras?

Da mesma maneira que os pais, ou seja, não mentir. Os profissionais que acolhem as crianças (educadoras e auxiliares) devem seguir sempre o caminho da explicação da verdade. Dizer por exemplo que se quiserem podemos ligar à mãe ou ao pai. Devemos transmitir afeto, dar colo, para que eles se sintam em segurança mesmo estando longe dos pais. Nós temos de conseguir acarinhar, dar mimo, por vezes individualmente, que sabemos ser necessário em determinado momento para aquela criança. Claro que há crianças com maior facilidade em socializar e em aceitar a nova rotina que lhes é apresentada. Essas não choram, nem fazem birras, mas nós sabemos que têm muitas saudades dos pais. 

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É quase impossível prever durante quanto tempo as birras se vão manter?

Sim, nunca sabemos, e se há dias em que tudo corre muito bem, em que a despedida do familiar é feita com alguma facilidade, outros há em que o mais certo é que os três meses do primeiro período sejam, inevitavelmente, conturbados. Por isso, nesses primeiros tempos adaptamos as histórias e atividades em sala ao momento. 

 

O que pedes aos pais?

Normalmente, peço aos pais para que não dramatizem tanto como as crianças; que não chorem no preciso momento da despedida para que a criança não veja que também eles estão tristes e aflitos. Peço ainda para que os tranquilizem durante o fim-de-semana, dizendo que há dois dias que passam em casa com a família mas que na segunda-feira vão voltar à escola e a brincar com os novos amigos. 

 

Todo o processo de adaptação à escola, à rotina, à educadora e às outras crianças requer tempo?

Sim, e cada criança demora o seu tempo. Nós temos de ter muita calma, e os pais também, e deixar a criança ir ganhando confiança em nós, educadoras e auxiliares. Eles precisam de aprender a dar-se a nós, têm de deixar ser seduzidos porque afinal de contas nós até há bem pouco tempo não nos conhecíamos e, de repente, temos de estar juntos, na mesma sala, a cumprir determinadas rotinas. Claro que é preciso que gostem muito de nós, claro que precisamos de encontrar pontos em comum com eles para que nos aceitem e queiram estar connosco todos os dias. Por outro lado, temos ainda a adaptação às outras crianças e a importância de criar laços uns com os outros. 

 

E em casa, como é que os pais podem ir falando da escola?

Por exemplo, digo isto algumas vezes aos pais, há que estar atento às brincadeiras das crianças quando estão em casa ... elas vão soltando o nome de alguns novos colegas. E aqui é fácil de perceber com quem há maior afinidade. Os pais podem pegar nisso e dizer-lhes, por exemplo, que o menino (cujo nome ouviram) vai estar amanhã na escola à espera dele para brincar. 

 

Guida trabalhas há quinze anos como educadora de infância e há dois foste mãe. Passaste a compreender melhor o lado dos pais depois de ser mãe?

Sim, isso é indiscutível. Só depois de sentir o que é ser mãe é que fiquei mais desperta para determinadas coisas. O que não quer dizer que até então não entendesse os pais dos meus alunos na perfeição, não é isso. Simplesmente passei a compreender melhor. Por exemplo, e como estamos a falar nestas questões da primeira vez no infantário. Quando voltei ao trabalho depois da licença de maternidade, lembro-me que deixei o meu filho na casa da minha mãe, com cinco meses, e fui a chorar até ao trabalho, e ele nem ficou a chorar. Eu sabia que era difícil o momento do desapego mas sentir na pele é outra coisa. 

IMG_3498.jpgA Guida e o filho Lourenço, de dois anos.  

 

Uma educadora de infância é ...

muita coisa junta ... mas essencialmente uma educadora de infância deve gostar muito do que faz para que passe esse prazer às crianças. É alguém que deve estar constantemente desperto para as necessidade de cada uma das crianças que tem em sala de maneira a perceber  sinais de alerta. É alguém que tenta dar um futuro melhor a todos os que por ela passam porque as crianças são adultos em construção e quanto melhor forem, melhor irão tratar os seus pares. 

 

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Cátia Santos catiafsantos@hotmail.com

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