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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Filhos do Carnaval

Completa(MENTE) escrito por Sónia Vaz

 

Sou muito mais do que uma simples foliona. Sim, adoro mascarar-me e percorrer as ruas a dançar. Adoro a alegria, as pessoas, a música que não me sai da cabeça nem quando estou a dormir. Mas sobretudo adoro o espírito. O meu grupo começou muito pequenino, com a minha família, alguns amigos mais chegados e amigos desses amigos. Hoje somos cerca de uma centena. Mas não é no número que está a diferença. Não. É nas pessoas, mesmo.

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As mulheres reúnem-se para escolher roupas, ensaiar coreografias e treinar maquilhagens. Os homens trabalham noites a fio durante dois meses na construção dos carros alegóricos, na melhoria do som, em reparações mecânicas.

 

E as crianças assistem a tudo.

Sabem que à noite têm de ajudar a levantar a mesa, a preparar os lanches, a arrumar a cozinha, porque o papá não está em casa e a mamã não consegue fazer tudo sozinha. Vão visitar o progresso dos carros alegóricos e ajudam de trincha na mão. Vão ver os ensaios e imitam as coreografias. Têm uma palavra a dizer na escolha dos seus próprios disfarces. Não faltam a um baile, mesmo cansados. E não reclamam por ser a tia a arranjá-los no dia do corso, porque a mamã se levantou cedo para maquilhar pessoas e o papá foi preparar os carros. E isto não acontece só na minha casa. Acontece na casa desta gente toda. E não, os nossos filhos não são negligenciados nestes dias. Eles fazem parte desta outra família que foi crescendo e ficando mais forte ao longo destes anos.

 

E por isso os chamamos de Filhos do Carnaval. Porque alguns ainda estavam na barriga e já iam a desfilar. Outros tinham uma cama para poderem adormecer à vontade durante o corso. E mesmo exaustos, querem sempre participar. E não é pela música, pelas coreografias ou pela maquilhagem. É porque entendem a responsabilidade de fazer parte de um grupo, de não deixar os outros para trás, de não falhar.

 

É neste espírito solidário, onde se esquecem as vaidades particulares e se trabalha para o efeito de um todo, de todos, que quero que os meus filhos continuem a crescer. É este exemplo de trabalho, de esforço, dedicação e cooperação que quero que eles desenvolvam. Somos parte de uma comunidade e devemos torná-la melhor. As pessoas estão lá para nos ver, temos de dar tudo. Falo a sério. Divirto-me, mas sinto muita responsabilidade em tudo o que faço. Para os outros, não para as fotos.

 

Sim, para mim e para os meus filhos, o Carnaval é muito mais do que folia. É percorrer quilómetros a dançar e é colaborar. É um pouco de sangria e muita alegria. Mas é sobretudo colaboração e união. O Carnaval faz-nos ficar mais fortes. E adoro que os meus filhos testemunhem e sigam este bom exemplo numa sociedade cada vez mais ensimesmada, individualista, egoísta. Adoro que eles sejam Filhos do Carnaval!

 

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Sónia Vaz 

Professora de Inglês (1º Ciclo)

 

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