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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Completa(MENTE) 11

Eu Falo, Tu Falas… Eles Comunicam

 

Sim. É enorme a diferença entre falar e comunicar. Comunicar, mais do que falar bem é também, ouvir bem. Mas temos muito pouco tempo para ouvir, andamos sempre com os minutos contados e a cortesia, essa, muitas vezes fica pelo caminho. Com os nossos filhos, os nossos alunos e… também com os pais deles. É acerca desse tipo (ou falha) de comunicação de que vos venho falar hoje, da que acontece entre pais e professores e que está no início da maioria dos conflitos a que assisto (ou de que faço parte).

pastedImage.png(Fonte: imagens google)

 

Noutro dia durante o meu horário de atendimento recebi uma mãe, para resolver um desses mal-entendidos.

Durante a nossa conversa, a senhora, que já tinha tido os filhos a estudar numa escola no Brasil, disse-me que há uma coisa em que eles estão muito à nossa frente: na comunicação. E de como ela acha isso importante e reconfortante para os pais. Sinceramente, acho que isso é um pouco cultural, que os brasileiros são mais calorosos e extrovertidos. Mas deixemo-nos de desculpas… não será também que temos de repensar a nossa abordagem? Se calhar, temos de ser menos formais e distantes e mais abertos e diretos. Ser um bom comunicador tem de ser inerente a ser um bom professor, e se nos esquecemos disso, estamos a desvalorizar uma parte importante do nosso trabalho. Se os pais têm uma boa imagem nossa, passá-la-ão aos filhos, que por sua vez, nos olharão com mais respeito.

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Mas esta relação é mesmo muito difícil de criar. Digo-o não só como professora, mas também como mãe. Não tenho a disponibilidade que gostaria para ir à escola dos meus filhos e falar com as professoras deles com a frequência desejada. E também não a tenho com os pais dos meus alunos. O que é uma pena, pois só falando (comunicando!) connosco eles podem julgar corretamente o nosso trabalho e hoje, julga-se demais os trabalho dos professores, muitas das vezes sem qualquer fundamento ou pedido de explicação. E pior, faz-se esse julgamento em frente às crianças, que levam essa bagagem para a escola agravando o problema. A culpa hoje é quase sempre do professor, são raros os pais que a reconhecem nos seus filhos. E se concordo, que enquanto professora devo fazer essa autoanálise diária e pensar no que tenho de mudar para motivar os meus alunos, enquanto mãe vejo-me na obrigação de contrariar os meus filhos quando eles culpam os professores pelo seu mau comportamento. Em casa, cabe-nos a nós, pais, ensinar os nossos filhos a respeitar os professores – e não, nunca, dizer-lhes que vamos à escola "ralhar" com a professora porque ela grita muito. Na escola, compete aos professores darem o seu melhor para chegarem aos seus alunos. E TODOS têm o dever de ouvir antes de criticar.

 

Por isso, vamos à escola. Venham à escola. Só juntos conseguiremos comunicar.

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Sónia Vaz 

 

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