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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Alguém disse #23

"... a maior parte das pessoas que atravessam períodos de dor psicológica não tem, felizmente, de se socorrer de apoio técnico, recorre aos que lhe estão próximos, à família e amigos. Nem sempre o senso comum nos diz quais são as melhores atitudes perante os outros. Na ânsia de ajudar alguém a sair o mais depressa possível do sofrimento, muitos têm a tendência para o "empurrar" para comportamentos e situações em que possam sentir algum prazer. Normalmente falham e agravam o sentimento de incapacidade para viver uma vida normal.

Por muito próximo que se esteja de alguém que está a sofrer uma perda, nunca seremos capaz de passar do registo intelectual, mesmo que já tenhamos passado por episódios de vida semelhantes. Tentar imaginar o sentir do outro, vivenciar a verdadeira ferida, que tantas vezes a pessoa em sofrimento não quer sarar, porque isso seria uma traição a quem desapareceu, é uma missão impossível. Respeitar a vontade de estar só, respeitar o silêncio, não se sentir atingido quando é claro que estamos a mais, nos momentos em que as recordações invadem o outro, pode não ser fácil, mas a dor tem sempre um lado não partilhável. 

 

Parece quase um caminho sem saídas, cheio de sentimentos de impotência e, por vezes, até de irritação, como quem diz:já chega de choros. Penso que a pior coisa que se pode fazer é julgar o tempo que cada um precisa para voltar à vida...

 

Por muito que nos custe e custa nos primeiros tempos, pensar que conseguimos sobreviver a uma grande perda, o tempo consegue, quase sempre, fazer o seu trabalho de repor o equilíbrio anterior. 

 

Estar na dor com o outro é assim como se fossemos um observador atento e participativo, à medida que somos chamados e desejados. Mas convém estar sempre por perto e não desertar..." 

 

Psiquiatra José Gameiro, revista E. 

 

 

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