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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

A Rapariga no Supermercado

A minha relação com o supermercado tem vindo a degradar-se ao longo do tempo.

Isto é, quanto mais vezes sou obrigada a ir às compras mais contrariada me sinto.

No início da vida de casada ia ao supermercado feliz e contente porque a dispensa estava a ficar vazia. Colocava as comprinhas (nome fofinho) no carrinho devidamente alinhadas. Na hora de as fazer deslizar pelo tapete rolante, iam organizadas por categorias/secções.

Ensacava-as com toda a calma e paciência do mundo e, quando chegava a casa, todas as minhas comprinhas iam para o sítio certo. 

Hoje o caso mudou de figura. Vou ao supermercado porque tenho mesmo de ir senão o pessoal aqui de casa não come! 

É tão simples quanto isto. Puro e duro. 

Se é para eu ir, vamos a isso, mas vou contrariada, chateada, aborrecida, emburrada (querem mais adjectivos!) e isso reflecte-se na minha expressão facial e corporal, por norma começo a bater o pézinho na fila para que percebam que tenho de ir buscar os meus filhos à escola. Transparece ainda na forma abrupta como coloco as compras dentro do carrinho/arrastador e por fim, mas não menos desesperante, os impropérios que dirijo aos sacos devido ao peso. 

Tudo isto só podem ser indícios de que fui vencida pelo cansaço e que esta rotina deve ser alterada. Talvez as compras online devam começar a fazer parte do meu universo mais assiduamente. 

Mas como não me sinto sozinha nesta vida, família e amigos partilham comigo estas sofridas visitas aos supermercados!

Assim sendo, sinto-me sempre mais acompanhada.

Dizem os entendidos em "maneiras de poupar nas idas ao supermercado" que uma das estratégias pode passar por seguir uma lista de compras à risca e não passear pelos corredores ou cair nas compras por impulso. Impulso?

Há determinados consumos aqui em casa que nada têm a ver com impulso. Bebe-se x litros de leite por mês, come-se x quilos de arroz por semana, bebe-se x litros de água por dia etc. etc. etc.. De uma lista de cerca de 30 itens ninguém me livra!

Entenda-se que é precisamente baseado nisto o meu corrupio para lojas na aldeia ou supermercado na vila mais próxima. 

Por vezes manifesto este meu descontentamento aos funcionários do Continente aqui da zona (alguns meus ex-colegas de escola), enquanto arrumo as compras nos sacos e olho de soslaio para a soma. Sempre com a esperança que diminua quando me pedem o cartão Continente. 

Frases que saem no momento:

Eu: - "cá estamos outra vez, não é!"

Funcionária: - "pois é, nunca temos tudo em casa! é uma chatice!"

Eu: - "então, adeus e até amanhã!" 

 

O pior de tudo é que, às vezes, é mesmo até amanhã! 

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