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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Mãe na bola.😁 Bola na Mãe.😁

Para assinalar o dia de domingo, uma mãe aqui da aldeia lembrou-se de sugerir que organizássemos um jogo de futebol contra a equipa dos nossos filhos. E que bela sugestão! A ideia ganhou mães adeptas e, conforme combinado, apresentámo-nos em campo no Dia da Mãe, equipadas a rigor, capazes de dar um verdadeiro show de bola! ⚽️😍

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Mas a criançada deu luta. Ó se deu! Tenho para mim que correram mais do que em qualquer outro jogo só para provarem que são efetivamente melhor que nós! Ora, nós somos mães deles, sabemos dos seus elevados níveis de espetacularidade. Era pois de evitar fazerem-nos correr tanto debaixo daquela temperatura 🌞🌞!! E por falar em calor, temi o pior ... em alguns momentos a minha vontade era atirar-me para o chão e fingir-me adormecida tal era o cansaço físico!

 

Perdemos. Como de resto já esperávamos 😄. Mas saímos de consciência tranquila porque fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para ganhar, e quando digo tudo é mesmo tudo, como: subornar o árbitro, simular faltas, agarrar na bola, como no râguebi, e fugir em direção à baliza adversária, pedir a ajuda do público, repetir penáltis até marcarmos ...  e, ainda assim, depois de todas estas trapalhadas, não conseguimos ganhar aos miúdos 😩!!!! Mãe sofre! 😩

 

A nossa vitória foi vê-los tão felizes! ❤️

 

Obrigada a todos os que permitiram que este convívio fosse possível.

Obrigada mães, filhos, treinadores e árbitro! 

 

Foi giro a valer !  😍

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(hoje estou em recuperação, ou seja, não me mexo sem largar um "Ái as minhas pernas😩")! 

 

 

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Perdidos na Perda

Ninguém gosta de falar do que perdeu. É-nos muito mais fácil falar do emprego novo, do carro novo, do amigo novo. É assim a nossa natureza. Varremos as tristezas para debaixo do tapete e deixamo-las assombrar-nos apenas no escuro quente da nossa cama, onde nos habituamos a chorar baixinho. Como se chorar fosse uma coisa terrível, e não algo inerente à nossa condição humana. Por isso, os nossos filhos, ou alunos quando choram, sentem que estão a fazer algo errado. Algo que nem os professores, nem os pais fazem. Ou não.

 

Admito. Sou uma chorona. E acredito que o facto de ser assim, me ajuda a ser melhor pessoa, mais bem resolvida. Já chorei inclusivamente em frente a pais e alunos, na festa de final de ano de uma escola onde trabalhei durante nove anos. Sempre que os alunos finalistas atuavam, depois de termos passado quatro anos juntos, chorei. Numa dessas vezes, eles saíram do palco e vieram abraçar-me. Só de pensar nisso, e já passou algum tempo, tenho os olhos rasos de lágrimas.

pastedImage.png(google imagens)

 

Mas raramente pensamos que os miúdos, na sua existência tão pequenina, também perdem muitas coisas e pessoas. E que têm o direito de sofrer por elas. De chorar pela professora favorita. Pelo melhor amigo que foi viver para Angola, ou que simplesmente já não quer brincar com ele. Por não ter sido convocado para o jogo. Pelo gato, pelo cão e inevitavelmente um dia, pelo avô, pelo pai. Nada na vida nos prepara para essas situações, mas elas fazem parte do que se chama estar vivo e não me parece nada bem tentar fazer com que esteja tudo bem, quando na realidade, está tudo mal. Não será até desumano privarmos as crianças dessa dor?

 

Não lhes digamos que tudo vai voltar ao normal, quando sabemos que nada volta a ser igual. Ensinemos-lhes a aceitar a dor dessa perda, seja ela qual for. Falemos dela. Falemos até não haver mais nada para falar. Choremos até não haver mais nada para chorar. Ou então desenhemos até, como sugere a Sandra Fartaria no seu mais recente livro ‘Avossauro’. Mas não façamos nunca de conta que está tudo bem. Porque não está.

 

Vivemos numa sociedade demasiado ocupada para termos tempo de ajudar a curar alguém. Mas os nossos meninos merecem esse tempo e acima de tudo, merecem saber que têm o direito a estar tristes até voltarem a estar felizes de novo. Porque se o soubermos fazer, é isso que acaba por acontecer. Uma perda bem resolvida ajuda-nos a crescer, a encontrarmo-nos. Uma perda despachada com ‘cola cuspo’ fica para sempre, fica-nos ficar perdidos para sempre.

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Sónia Vaz

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Cátia Santos catiafsantos@hotmail.com

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