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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

O Leitão de Negrais

A minha aldeia distingue-se das outras localidades vizinhas pela tradição do leitão assado em forno de lenha.

Quando a identifico, as primeiras palavras que recebo em troca, quase de imediato, são: o leitão assado de Negrais!

Não seria simpático da minha parte continuar a escrever sobre a vida nesta terra sem salientar a importância dos bacorinhos, quentinhos e estaladiços que fazem as delícias de quem os procura. 

A verdade é que a iguaria alcançou uma maior projecção graças à nova geração que deu continuidade ao negócio familiar. Hoje em dia, muitos comerciantes locais estão presentes em praças e mercados no centro de Lisboa e em grandes superfícies comerciais.  

Nesta altura do ano, Negrais ganha toda uma nova dinâmica, todo um novo aroma. As estradas enchem-se de carros. Há mais agitação, burburinho, movimento. Há filas intermináveis nos restaurantes e nas casas de venda de leitão assado. Parece que todos os caminhos vão dar a Negrais. Uma ligeira confusão, entenda-se!

Parece que já se tornou tradição para muitas famílias terem a bela iguaria de Negrais a compor as suas mesas de Natal. 

Algumas amigas de infância, que fazem parte desta azáfama, desaparecem dos eventos sociais. Só volto a vê-las no próximo ano. Sim, no próximo ano porque a procura pelo leitão assado tem a mesma intensidade nos últimos dias do mês!!

 

Espero que este ano, a austeridade não pregue uma partida de mau gosto à minha aldeia e deixe que tudo aconteça como tem sido habitual, porque a aldeia precisa e gosta desta agitação que o mês de Dezembro carrega. 

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A Rapariga no Supermercado

A minha relação com o supermercado tem vindo a degradar-se ao longo do tempo.

Isto é, quanto mais vezes sou obrigada a ir às compras mais contrariada me sinto.

No início da vida de casada ia ao supermercado feliz e contente porque a dispensa estava a ficar vazia. Colocava as comprinhas (nome fofinho) no carrinho devidamente alinhadas. Na hora de as fazer deslizar pelo tapete rolante, iam organizadas por categorias/secções.

Ensacava-as com toda a calma e paciência do mundo e, quando chegava a casa, todas as minhas comprinhas iam para o sítio certo. 

Hoje o caso mudou de figura. Vou ao supermercado porque tenho mesmo de ir senão o pessoal aqui de casa não come! 

É tão simples quanto isto. Puro e duro. 

Se é para eu ir, vamos a isso, mas vou contrariada, chateada, aborrecida, emburrada (querem mais adjectivos!) e isso reflecte-se na minha expressão facial e corporal, por norma começo a bater o pézinho na fila para que percebam que tenho de ir buscar os meus filhos à escola. Transparece ainda na forma abrupta como coloco as compras dentro do carrinho/arrastador e por fim, mas não menos desesperante, os impropérios que dirijo aos sacos devido ao peso. 

Tudo isto só podem ser indícios de que fui vencida pelo cansaço e que esta rotina deve ser alterada. Talvez as compras online devam começar a fazer parte do meu universo mais assiduamente. 

Mas como não me sinto sozinha nesta vida, família e amigos partilham comigo estas sofridas visitas aos supermercados!

Assim sendo, sinto-me sempre mais acompanhada.

Dizem os entendidos em "maneiras de poupar nas idas ao supermercado" que uma das estratégias pode passar por seguir uma lista de compras à risca e não passear pelos corredores ou cair nas compras por impulso. Impulso?

Há determinados consumos aqui em casa que nada têm a ver com impulso. Bebe-se x litros de leite por mês, come-se x quilos de arroz por semana, bebe-se x litros de água por dia etc. etc. etc.. De uma lista de cerca de 30 itens ninguém me livra!

Entenda-se que é precisamente baseado nisto o meu corrupio para lojas na aldeia ou supermercado na vila mais próxima. 

Por vezes manifesto este meu descontentamento aos funcionários do Continente aqui da zona (alguns meus ex-colegas de escola), enquanto arrumo as compras nos sacos e olho de soslaio para a soma. Sempre com a esperança que diminua quando me pedem o cartão Continente. 

Frases que saem no momento:

Eu: - "cá estamos outra vez, não é!"

Funcionária: - "pois é, nunca temos tudo em casa! é uma chatice!"

Eu: - "então, adeus e até amanhã!" 

 

O pior de tudo é que, às vezes, é mesmo até amanhã! 

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Sou uma "sem-terra"?

No seguimento disto de "viver na aldeia", lembrei-me de uma expressão que um ex-colega de trabalho (por pouco tempo infelizmente) me endereçou: "És uma sem-terra!". Isto claro, inserido num determinado contexto e que no momento até teve a sua piada.

Estava a ser assunto, na pausa para o cafézinho matinal, as deslocações "à terra" que os meus colegas faziam por esta altura do ano para promover encontros com os outros filhos da terra.

O colega dizia, e com razão, que eu não tinha de ir visitar a família à aldeia mais escondida da Beira Interior.

É verdade, verdadinha, não tenho a família espalhada por esse Portugal fora. 

Aqui na aldeia, aprecio o conforto de sentir que tenho sempre os meus por perto (para o bem e para o mal, é um facto!) e isto facilita-nos a vida, enquanto família, em várias ocasiões.

Vão ter oportunidade de comprovar isto mesmo ao seguir esta minha viagem!!!!

Hoje, entendo que sou uma sortuda pois todos os que preciso e todos os que precisam de mim estão por perto. Bem pertinho por sinal.

Alguém por aí se identifica?

 

O Início da Viagem

Para mim, as "grandes decisões da vida", por norma, têm um dia da semana preferido para serem postas em prática: a segunda-feira. 

É à segunda-feira que penso em alterar uma rotina. É à segunda-feira que penso em inscrever-me no ginásio . É à segunda-feira que penso em alimentação saudável .

Desta vez, e contrariando toda esta minha tendência da segunda-feira, até porque é o dia da semana mais odiado, criei um blog a um DOMINGO.

Chama-se A Rapariga na Aldeia e surgiu de mãos dadas com esta minha necessidade de partilhar opiniões, vivências e ideias várias do meu universo na aldeia enquanto rapariga e mãe de duas crianças. 

Já agora, um pormenor muito importante, a aldeia onde nasci e vivo é Negrais! Exato... é isso mesmo... a terra do leitão!!!!!

Se ainda não conhecem a minha aldeia, ao seguir este meu blog, irão ter uma oportunidade única e inesquecível de apreciar as manobras de arte para sobreviver à educação de duas crianças que me fazem frente quando falo em ir à cidade!  

Espero que este seja um início de uma longa viagem acompanhada por família e amigos e por todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, se revêem nas minhas palavras. 

Wish me luck. 

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A Blogger:

Cátia Santos catiafsantos@hotmail.com

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