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A Rapariga na Aldeia

A Rapariga na Aldeia

Entrevista a Sílvia Lopes

Como sigo de perto e faço parte do grupo de voluntários da iniciativa "Ser Mais Solidária", liderado pela minha amiga Sílvia Lopes, achei por bem fazer-lhe algumas perguntas sobre como decorreram as duas ações de solidariedade social no passado mês. Refiro-me à distribuição de refeições a sem-abrigo e à entrega de donativos a uma instituição de meninas no Gradil. Fiz este pedido de entrevista à Sílvia pois considero importante dar feedback a quem tem contribuído para esta causa e aproveito também para, simultaneamente, apresentá-la a quem lê este blog e ainda não a conhece. Portanto, uma espécie de dois em um! 

26754436_1649031765144666_1770215376_n.jpgA Sílvia Lopes é empresária, barra a contabilidade, casada, tem dois filhos e, se não me engano, tem trinta e tal anos 😁! 

 

 

Sílvia, que balanço fazes das ações que coordenaste no passado mês de Dezembro?

Positivo, muito positivo. Posso dizer que houve um considerável aumento de apoios a todos os níveis, quer na ação sem-abrigo quer na Florinhas do Gradil. Em boa medida, resultantes da quadra festiva e dos apelos que vou fazendo nas redes sociais (facebook). A verdade é que, neste momento, cada vez mais pessoas estão dispostas a ajudar (em donativos e em participação presencial). O que é muito bom sinal. É a prova de que estamos verdadeiramente mais solidários. 

 

A "Ser Mais Solidária" está a ganhar estrutura e solidez?

Sim, sem dúvida. A "Ser Mais Solidária" está a ganhar voluntários, estrutura e organização. Este ano mais pessoas se juntaram a mim e mais pessoas doaram bens. Tenho a sorte de estar rodeada do meu "núcleo duro solidário" que me acompanha assiduamente e que torna possível tudo isto. São eles o Fernando, a Alice, a Augusta e a Emília. A minha avó, os meus filhos, tu e os teus. A Florbela que oferece a carne ou cobra a preço reduzido. A Tânia Cunha, a Tânia Pedro, a Célia Oliveira, a Catarina Cuco, a Elizabete Esteves e a Karina Simões, a Manuela Cassona, as senhoras do centro de dia, a Vera Duarte, minha amiga de infância, que apoia com os meios/tempo que dispõe. O Carlos e a Lígia que, entre um sem número de outras coisas, também disponibilizam a carrinha para a distribuição de roupas aos sem-abrigo. As empresas de sopas aqui da zona que acedem aos meus pedidos. As professoras da escola de Negrais também aderem e apelam aos pais dos alunos por donativos. Outras pessoas contribuem com dinheiro. Noto que já não preciso de apelar tanto como, por exemplo, no ano passado. São mais as pessoas que, pelos mais diversos meios, me procuram e questionam sobre o que está a fazer falta no momento. E eu fico muito contente por isso! 

 

Sei que alguns restaurantes, cafés, pastelarias aqui da zona conseguem dar-te as sobras, nomeadamente de bolos. Há maior disponibilidade das pessoas para ajudar o próximo? 

Sim, é verdade. A adesão a este tipo de causas é maior. Poucos são aqueles que me "fecham a porta" quando explico as razões dos meus pedidos. Aproveito para agradecer à pastelaria O Rebuçado no Pinheiro de Loures, à Sacolinha no Ral, à Tóia em Vila Verde e à Bem-Estar em Pero Pinheiro. Estas pastelarias têm contribuído com as sobras de fim de dia, uma vez por mês, o que é fantástico! 

 

E em termos de trabalho no terreno, que evolução notas, por exemplo, na distribuição de agasalhos e refeições aos sem-abrigo?

Evoluímos bastante. Atualmente vamos uma vez por mês ao terreno e o nosso modus operandi está claramente mais oleado. Sabemos que pelo menos duas pessoas têm de estar a distribuir as roupas, uma pessoa a entregar a refeição (embalada), duas dão a sopa, uma na distribuição dos bolos, no pão, sumos, leite e pelo menos duas pessoas na parte das frutas. Sinto que estamos cada vez mais aptos nesta missão! 

Collage_Fotor5.jpgA Sílvia no espaço onde armazena os donativos que lhe vão chegando. 

 

Em que zonas de Lisboa distribuíram refeições?

Rossio, Martim Moniz, Praça da figueira, Saldanha e terminamos em Santa Apolónia. A diferença é que, por ser natal, levámos presentes para os sem-abrigo. 400 para homens e 250 para mulheres e éramos um grande grupo de voluntários (ver foto). Foi claramente diferente do que costuma ser nos restantes meses do ano. 

 

Alguns sem-abrigo já vos conhecem? 

Sim, alguns já nos conhecem e até nos fazem encomendas e tudo! Por exemplo, pedem-nos camisolas de determinados tamanhos, roupas para os filhos. Um jovem pediu-nos uma camisa de determinada cor porque tinha conseguido arranjar emprego numa superfície comercial mas ainda precisa de apoio até conseguir organizar-se! Nós ficámos todos contentes! 

 

Como é feita a abordagem? Que relação se estabelece naqueles minutos em que se está a distribuir as refeições?

Nós já conhecemos alguns pelo nome e eles a nós. Um pergunta-me como está o meu pé porque sabe que no ano passado fui operada! Por vezes, fazemos um pouco papel de psicólogos. Ouvimos os seus problemas e angústias. Damos conselhos e palavras de incentivo. Mas essencialmente tratamo-los sempre com respeito para que entendam que estamos com o objetivo de os ajudar e nunca de os julgar! 

 

Qual a sensação ao fim da noite?

Cansados. Muito cansados mas felizes com a sensação de dever cumprido, e, acima de tudo, e agora falo por mim, grata pelo privilégio de poder ajudar quem mais precisa e pela vida que tenho! 

Collage_Fotor1.jpg(fotos retiradas do facebook da Sílvia)

 

Relativamente à Casa Mãe Florinhas do Gradil, instituição que alberga meninas dos 5 aos 23 anos, em que circunstâncias começaste a fazer-lhes chegar donativos?

Eu conheci esta instituição por intermédio da minha irmã que, quando soube que o segundo filho era um rapaz, decidiu doar algumas roupas da filha. Comecei a ir lá assiduamente entregar as roupas que iam deixando de servir à minha filha. Atualmente vou ao Gradil duas vezes por ano (verão e inverno) e, antes de ir, faço um apelo no meu facebook. Além das minhas coisas, consigo levar o que me dão, como por exemplo, brinquedos e produtos de higiene. Este ano, e devo frisar aqui também a preciosa ajuda das professoras da escola de Negrais que, ao divulgar a iniciativa junto dos pais dos alunos, consegui reunir imensos artigos solicitados pelas coordenadoras da instituição. 

 

Então também a esta casa conseguiste fazer chegar mais donativos?

Sim, é verdade, este ano a este nível foi fantástico, graças a todos os que, de certa maneira, se envolveram nesta causa! Quero agradecer à Dr. Sofia e Dr. Cristina (coordenadoras da instituição) pela forma elegante como nos recebem. Desta vez conseguimos conviver um pouco com algumas meninas adolescentes da instituição e ouvimos um ou outro desabafo de uma adolescente! Há projetos na calha para este 2018 que poderão passar por mostrar a realidade institucionalizada versus realidade nas ruas. Um pouco a correlação entre as duas realidades.

Collage_Fotor2.jpg(fotos retiradas do facebook da Sílvia)

 

A "Ser Mais Solidária" vai continuar?

Sim, enquanto houver quem me ajude, das mais diversas maneiras, sim, é para continuar! Sempre em equipa, em grupo, pois só assim é possível concretizar estas ações de solidariedade que eu considero uma missão de vida! 

 

Como é que as pessoas podem continuar a ajudar-te?

A próxima ida aos sem-abrigo será, em principio, a 24 de Janeiro. Alguns dias antes, deverão estar atentas ao meu facebook pois irei publicar uma lista com aquilo que mais preciso para confecionar as refeições. Para além disso, todos os produtos e ajuda são bem-vindos mas, neste momento, faltam ... casacos de inverno, cobertores, mantas, sacos-cama e roupa interior. Por uma questão de logística e de armazenamento só consigo voltar a receber roupas (separada por géneros, por favor) no mês de Fevereiro.  

 

Obrigada Sílvia e que a "Ser Mais Solidária" assim continue, perto de mim e de boa saúde! 

😍

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